O Empresário e Suas Transações em Dinheiro Vivo
Pierre Alcolumbre, primo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem se destacado não apenas por sua conexão familiar, mas também pela ascensão meteórica no cenário empresarial brasileiro. Com um império que abrange vastas áreas no Amapá, sua trajetória tem gerado desconfiança, especialmente devido ao seu peculiar método de realizar transações, frequentemente utilizando grandes quantias em dinheiro vivo. Segundo uma reportagem da revista Piauí, o empresário, que até pouco tempo levava uma vida modesta, viu sua fortuna crescer exponencialmente a partir de 2002, coincidentemente quando Davi iniciou sua carreira política.
Transações Suspeitas e Crescimento Rápido
A forma como Pierre conduz seus negócios e realiza pagamentos despertou suspeitas sobre a origem de sua riqueza. A reportagem da Piauí destaca que ele é conhecido por pagar quase todas as suas transações em dinheiro vivo, o que inclui aquisições imobiliárias significativas e compras de terras. A soma do capital social de suas empresas chega a impressionantes 19 milhões de reais, com destaque para propriedades rurais que totalizam quase 10 mil hectares. Pierre não se limita ao Amapá, investindo também em empreendimentos imobiliários em outras regiões do Brasil, o que amplia ainda mais seu império econômico.
Conflito com a Comunidade de Lagoa de Fora
Leia também: Davi Alcolumbre: O Governador de Fato do Amapá?
Leia também: Davi Alcolumbre e a Sabatina de Jorge Messias: Resistência e Expectativa no Senado
Recentemente, Pierre se viu envolvido em uma polêmica disputa de terras com a comunidade de Lagoa de Fora, situada na periferia de Macapá. Em 2025, ele começou a destruir áreas de lazer e hortas comunitárias, alegando ser o proprietário das terras onde a comunidade reside. O cenário gerou um impasse judicial, com a Defensoria Pública da União (DPU) intervindo por meio de uma ação que busca garantir a permanência dos moradores em suas casas. A tentativa de Pierre de expulsar a comunidade foi caracterizada como uma tentativa de esbulho, e apesar das pressões, ele continua a tentar expandir seus negócios com o auxílio de seu sócio, Wilton Teixeira, da construtora Ariri.
Entre a Política e os Negócios
A ascensão de Pierre no mundo empresarial está indiscutivelmente atrelada à sua relação com Davi Alcolumbre, um dos políticos mais influentes do Brasil. De acordo com a reportagem, Pierre se tornou o operador dos negócios da família Alcolumbre, movendo empresas e terras em nome de seu primo. Embora ambos negaam um envolvimento direto, a conexão entre eles é evidente, especialmente considerando a influência política de Davi no Amapá.
O Contexto Fundiário no Amapá
Leia também: Davi Alcolumbre Inicia Articulações Contra Prefeito de Macapá Através de Áudio Revelador
Leia também: Operação da PF Aumenta Tensão Política Entre Davi Alcolumbre e Governo Lula
O cenário agrário no Amapá é repleto de nuances e desafios legais, com muitos terrenos em um limbo fundiário. A transferência de terras da União para o governo estadual, que começou em 2022, deixou diversas áreas sem documentação clara. Apesar de Pierre ter regularizado algumas propriedades, a indefinição das fronteiras em várias áreas gerou litígios, como no caso de Lagoa de Fora, onde os moradores afirmam que suas casas estão localizadas em terras que pertencem à União — não a Pierre.
Uma Comunidade em Luta
O litígio continua a ser analisado pela Justiça, com a comunidade lutando para garantir sua posse. A Defensoria Pública permanece atenta à situação, mas as ameaças de despejo e a presença de seguranças particulares indicam que Pierre não está disposto a ceder facilmente. Assim, a tensão cresce à medida que a comunidade de Lagoa de Fora defende sua história e suas raízes contra um empresário que vê a terra como mais um ativo em seu império crescente.
