Investigação Polêmica em Andamento
A proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, apresentada na última quarta-feira (6) à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), já está causando alvoroço antes mesmo da avaliação do relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O foco da delação inclui indícios que ligam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a um esquema financeiro suspeito.
Ao que parece, Mendonça expressou descontentamento ao advogado de Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, pela falta de informações relevantes que já estariam disponíveis no inquérito da PF. Entre esses dados, destaca-se a suposta conexão de Alcolumbre com um esquema em Amapá, que estaria sob sua supervisão.
Investigações em Foco
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A operação da PF, que teve seu início com o foco em Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), também mira Jocildo Silva Lemos, indicado por Alcolumbre para presidir a Amapá Previdência. Este último movimentou cerca de R$ 400 milhões de recursos públicos em letras financeiras do Banco Master, visando fortalecer a instituição de Vorcaro para a aquisição do Banco de Brasília (BRB) durante a gestão de Ibaneis Rocha (MDB) no Distrito Federal.
O avanço das investigações gerou um clima de tensão entre os políticos da base bolsonarista e do Centrão, especialmente entre Alcolumbre e Nogueira. Desde fevereiro deste ano, esses caciques iniciaram diálogos para obstruir a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigaria o escândalo financeiro, particularmente antes das eleições de maio.
Blindagem Negada por Lula
Com a indicação do advogado Jorge Messias e a recusa ao projeto de lei da Dosimetria, Alcolumbre tentou buscar proteção junto a Lula durante a posse de José Guimarães (PT-CE) como ministro das Relações Institucionais, em 14 de abril. A informação, divulgada por Malu Gaspar no jornal O Globo, revela que Alcolumbre solicitou ao presidente a intervenção para barrar a delação de Vorcaro, alegando que esta traria “muitas mentiras e injustiças” sobre sua pessoa.
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No entanto, Lula não apenas rejeitou a solicitação, mas deixou claro que não interferiria na atuação da PF, da PGR ou do próprio STF, onde o caso é analisado pelo “terrivelmente evangélico” André Mendonça, que não goza de prestígio no Planalto.
Alianças e Manobras Políticas
Frente à negativa de Lula, Alcolumbre e Ciro Nogueira se uniram a Flávio Bolsonaro, que almeja a presidência, para formar um grande pacto político. Este acordo, que aparentemente incluiu até mesmo o ministro Alexandre de Moraes — que nega qualquer participação —, buscaria impedir a instalação da CPI do caso Master no Congresso.
Alcolumbre, assim, teria arquitetado duas derrotas significativas para Lula, com a rejeição do nome de Messias ao STF e a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, que abre espaço para uma “anistia” moderada ao ex-presidente.
Impacto das Ações no Congresso
A partir deste arranjo, Alcolumbre ignorou o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso Master durante a sessão conjunta do Congresso que tratou do veto ao PL da Dosimetria. O deputado Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, foi enfático em sua crítica: “Agora virou caso de polícia o acordão feito no Congresso Nacional para derrotar Jorge Messias, nome de Lula, ao STF e acobertar as investigações”, afirmou, enfatizando a importância de divulgar o acordo entre os líderes políticos.
O pacto também consolidou o apoio do Centrão, dominado em grande parte por Alcolumbre e Nogueira, à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Durante a mesma sessão, Flávio comemorou as derrotas impostas ao governo com uma atitude reminiscentes ao estilo Eduardo Cunha. “O governo Lula acabou. Grande dia”, compartilhou em sua conta na rede social X, momentos antes da PF realizar a operação que culminaria em ações contra Ciro Nogueira.
