O impacto da guerra no Irã na economia da Audasa
A Audasa, empresa responsável pela gestão da autoestrada AP-9, localizada na Galícia, expressa sua preocupação com os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. A escalada de tensões entre o Irã, os Estados Unidos e Israel tem elevado os preços dos combustíveis, o que pode impactar diretamente o fluxo de veículos na autoestrada. Em um folheto recente, a companhia revelou uma emissão de obrigações no valor de aproximadamente 66,8 milhões de euros e destacou que este cenário de instabilidade mundial é mais preocupante do que a possibilidade de uma eventual finalização da concessão da via, que lhe asseguraria uma indenização significativa.
No documento, a Audasa aponta que “atualmente, o ambiente internacional sofre as consequências do agravamento do conflito na região, que começou a se intensificar em fevereiro de 2026”. A empresa menciona que a alta nos preços do petróleo pode levar a uma redução no tráfego, uma vez que o aumento no custo do combustível tende a desincentivar as viagens. Embora até o momento não tenha havido uma diminuição significativa no uso da autoestrada, a companhia admite que, caso os preços continuem altos, o tráfego pode ser afetado.
Comparação com crises passadas
A Audasa, que pertence ao grupo Itínere, compara a atual situação com a crise imobiliária que afetou a Espanha entre 2007 e 2008. “Naquela época, a crise financeira gerada por práticas irresponsáveis no setor bancário dos EUA resultou em um colapso que propagou uma recessão global, impactando negativamente o tráfego em diversas autoestradas, incluindo a AP-9”, explica a empresa.
Os dados de tráfego da autoestrada revelam uma trajetória marcada pela oscilação: enquanto em 2007 a Intensidade Média de Tráfego (IMD) cresceu 7,5%, nos anos subsequentes, até 2014, o cenário foi de queda, com a IMD diminuindo em percentuais que variaram de 1% até 12,48% em momentos críticos.
“Se os riscos associados ao aumento dos combustíveis afetarem a atividade da Audasa, realizaremos uma análise detalhada das consequências em todas as áreas da empresa”, afirma a companhia.
Incertezas sobre a concessão na Europa
Adicionalmente, a Audasa afirma não ter informações sobre as ações da Comissão Europeia relativas à revisão da sua concessão. No último relato, a Comissão cobrou do governo espanhol uma correção de irregularidades apontadas em processos anteriores sobre a prorrogação da concessão da AP-9 e da A-66, gerida também pelo grupo Itínere. As irregularidades mencionadas envolvem regras da UE relacionadas à concessão de autoestradas e contratações públicas.
Caso as preocupações da Comissão não sejam sanadas em um prazo determinado, o caso pode ser levado ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE). A Audasa, no entanto, afirma não ter recebido nenhuma notificação sobre esse processo e reitera sua inocência. “A Espanha apresentou, dentro do prazo, a confirmação da regularidade dos procedimentos realizados”, conclui a empresa.
