Reunião Informal e Cobrança do Governo
BRASÍLIA — Davi Alcolumbre, presidente do Senado, teve um encontro na semana passada com Jorge Messias, o indicado de Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal (STF). Essa reunião, que ocorreu em Brasília, veio após longos cinco meses de expectativas quanto à agenda de Messias, conforme relatado inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo Estadão.
Embora o encontro tenha sido informal, o governo Lula aguarda ansiosamente uma reunião formal entre Alcolumbre e Messias, que é vista como essencial para facilitar a aprovação do indicado ao STF. Apesar do encontro ocorrido, o governo continua a articular para que essa reunião oficial realmente aconteça, visando garantir que a indicação de Messias não seja prejudicada.
Nesta terça-feira, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, expressou que, se a reunião entre Alcolumbre e Messias realmente aconteceu, foi “top secret”, mas não no formato que deveria. “Ontem, por exemplo, o ministro José Guimarães, responsável pela articulação Política do governo, esteve com o presidente Davi e solicitou que ele recebesse Messias, pois considerava que seria mais adequado no âmbito institucional. Ele (Guimarães) não faria esse pedido se soubesse que a reunião já tinha ocorrido. No formato que eu considero apropriado, isso não aconteceu. Se eles se encontraram em algum momento, eu desconheço. Um encontro formal na residência oficial ou na presidência não ocorreu”, afirmou Wagner.
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Desafios para a Aprovação da Indicação
Jorge Messias precisa garantir 14 votos para ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, em caso de aprovação, necessita de 41 votos no plenário. Os governistas estimam que o indicado pelo presidente Lula possui cerca de 44 votos assegurados, algo que, se confirmado, representaria a aprovação mais baixa desde a redemocratização do país.
Paralelamente, a oposição, alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, está mobilizando esforços não apenas para barrar a indicação, mas também para minimizar a margem de aprovação de Messias. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, destacou que a resistência bolsonarista à indicação é “simbólica”, já que o voto na CCJ é secreto. “O voto é sigiloso, ou seja, o que se faz é um pedido e uma argumentação. Cada senador vota de acordo com a própria consciência. Os argumentos apresentados na reunião certamente serão considerados por cada um deles. Temos uma indicação legítima do presidente, mas acreditamos que Jorge Messias vai contra a necessidade de pacificação do País”, declarou Marinho.
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Consequências de uma Rejeição
Se a indicação de Messias for rejeitada, isso poderia provocar uma crise sem precedentes para o governo no Palácio do Planalto, afetando a imagem de Lula em um ano eleitoral. Vale lembrar que a última vez que um indicado ao STF foi recusado pelo Senado ocorreu durante a Primeira República, evidenciando a gravidade da situação atual.
