Investigações sobre o Primo de Alcolumbre
A dinâmica empresarial que envolve o senador Davi Alcolumbre passa a ser alvo de nova análise após recentes revelações sobre o primo dele, considerado uma figura central nos negócios familiares. Os Alcolumbre, com raízes em uma tradicional família de comerciantes no Amapá, construíram ao longo dos anos um patrimônio variado que abrange desde postos de combustíveis até empresas de comunicação e um terminal portuário, consolidando-se como um verdadeiro império regional com forte influência política e econômica.
No entanto, o foco da atenção se volta para Pierre, primo do senador. Ele iniciou sua trajetória empresarial ainda jovem e, a partir dos anos 2000, viu seu portfólio crescer de forma notável, coincidentemente alinhando-se com a ascensão política de Alcolumbre em Brasília.
Crescimento Suspeito
De acordo com uma matéria publicada pela Revista Piauí, a maior parte das empresas associadas a Pierre foram fundadas após 2003, acumulando milhões em capital social e englobando vastas áreas rurais. O estudo revela que algumas dessas propriedades se sobrepõem a regiões sensíveis, como assentamentos e territórios quilombolas. Além disso, há evidências de transações realizadas com dinheiro em espécie — um padrão que, embora não crime, levanta bandeiras vermelhas para os órgãos de controle.
Um contraste notável emerge ao se comparar a evolução do patrimônio de Pierre com a declaração de bens de Davi Alcolumbre à Justiça Eleitoral, que permaneceu praticamente inalterada ao longo dos anos, levantando suspeitas sobre a relação entre os dois.
Conexões e Polêmicas
Outro aspecto controverso é a compra de salas comerciais em Macapá, que abriga um escritório político vinculado ao senador. O local também seria utilizado por indivíduos ligados a estruturas administrativas do estado, alguns dos quais já foram mencionados em investigações relacionadas a transações financeiras problemáticas. Informações de bastidores sugerem que Pierre atua como operador informal em certos negócios. Ao ser procurado, Alcolumbre negou qualquer ligação imprópria, afirmando que não pode ser responsabilizado pelas atividades de familiares e classificando as associações como meras especulações.
No papel, existe uma clara separação entre os bens pessoais e as responsabilidades do mandato. Contudo, na prática, a interligação familiar — prevalente na política brasileira — ressurge na pauta, levantando a eterna questão: onde termina o espaço público e começa o privado?
Notícias do Cenário Político
Em outras novidades no cenário político, o ex-jogador Edmundo anunciou sua filiação ao PSDB no Rio de Janeiro, a convite do presidente estadual da legenda, Luciano Vieira. Ídolo do Vasco da Gama, ele afirmou que esta é sua primeira incursão na política, embora não tenha confirmado sua candidatura nas eleições deste ano.
A Câmara dos Deputados também aprovou um projeto que endurece as regulamentações no setor de combustíveis, propondo aumento das multas e a criação de uma taxa de fiscalização para as empresas. O projeto agora segue para análise do Senado.
Após um episódio de tumulto durante uma sessão, um vereador de Cachoeiras de Macacu, no RJ, demonstrou seu descontentamento ao retornar ao plenário portando uma mandioca, após ter seu microfone cortado durante uma discussão acalorada com o presidente da Câmara.
O senador Carlos Viana expressou a intenção de entregar pessoalmente ao ministro André Mendonça uma cópia do relatório da CPMI do INSS. Enquanto isso, a CPI do Crime Organizado decidiu convocar os ex-governadores Ibaneis Rocha (DF) e Cláudio Castro (RJ) para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com investigações financeiras.
O senador Fabiano Contarato criticou decisões do STF que, segundo ele, limitam a atuação das CPIs, advertindo que tais medidas enfraquecem o papel fiscalizador do Legislativo. Viana, por sua vez, considerou a investigação aberta pelo ministro Flávio Dino sobre suas emendas como uma vitória, alegando que a ação comprova que não destinou recursos à Fundação Oásis.
Por fim, o Partido Novo protocolou uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra o deputado Lindbergh Farias, alegando quebra de decoro durante uma reunião da CPMI do INSS, após o parlamentar chamá-lo de “estuprador” sem apresentar provas.
