Desafios na Indicação para o STF
A indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) após um longo e tumultuado processo que se estendeu por mais de quatro meses. A aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso em 9 de outubro de 2025, ao completar 70 anos, abriu espaço para a terceira indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante seu atual mandato.
No entanto, a avaliação no Palácio do Planalto era de que esse anúncio não passava de um procedimento formal, enquanto Messias seguia como o principal favorito para a vaga. Nos bastidores, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), organizava encontros do Advogado Geral da União (AGU) com senadores.
O objetivo desses encontros era não apenas reunir aliados, mas também convencer parlamentares do Centrão, especialmente os próximos a Davi Alcolumbre. A equipe do governo acreditava que Messias precisaria fazer um esforço extra, conhecido como um “beija-mão”, antes da oficialização de sua indicação, para garantir a viabilidade política do seu nome perante a Suprema Corte.
Reveses e Controvérsias
Contudo, a euforia em torno da indicação não durou muito. Em dezembro, Messias enfrentou um revés significativo em sua tentativa de amenizar as resistências. O AGU contatou Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, para solicitar um encontro com os membros da bancada. No entanto, após falar com os 17 senadores que compõem o grupo evangélico, Viana descobriu que a maioria não demonstrava interesse em se reunir com o indicado de Lula.
Além disso, a condução da sabatina marcada para o dia 10 de dezembro por Alcolumbre se mostrou turbulenta, em parte devido à insatisfação do próprio presidente do Congresso, que criticou publicamente o governo por não o ter consultado sobre a indicação, tornando-se, assim, uma figura central no impasse político.
Incertezas no Palácio do Planalto
Diante do risco de uma derrota histórica no Senado, o Planalto decidiu recuar. Em fevereiro, a cautela se intensificou devido à incerteza sobre a possibilidade de Alcolumbre pautar a votação sem adiamentos. O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), expressou que o clima em torno da indicação de Messias era de “grande incerteza”.
Imprevistos adicionais também dificultaram o cronograma de Lula. A intenção do presidente de oficializar a indicação foi adiada para após o Carnaval, em decorrência de uma operação da Polícia Federal relacionada a irregularidades em um fundo de previdência no Amapá, estado de Davi Alcolumbre. Esse episódio gerou um mal-estar político que atrasou ainda mais a estratégia do governo.
Confiança e Apoio Político
Apesar dos contratempos, a administração federal mantinha a confiança de que já tinha a maioria necessária no Senado para aprovar o nome de Messias. Em uma reviravolta surpreendente, Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil sob a gestão de Jair Bolsonaro (PL), manifestou apoio explícito a Messias, elogiando-o como “preparadíssimo, honesto e de bom coração”.
Finalmente, em 31 de março, Lula confirmou o envio da indicação ao Senado. O nome de Messias agora deve passar por uma sabatina na CCJ antes de ser votado no plenário. Para ser confirmado como o novo ministro do STF, o indicado precisa do apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores, uma maioria absoluta da Casa.
