A Sustentabilidade no Agronegócio
No setor de carne bovina, a relevância das práticas sustentáveis é inegável. O Brasil continua a exercer um papel crucial, sendo responsável por cerca de 50% das importações de carne pela China, com um aumento contínuo nas transações desde 2003. Tian Lei, presidente da Associação de Produtores de Carne de Tianjin, reconheceu a necessidade de diversificar as fontes de fornecimento, conforme estabelecido no mais recente Plano Quinquenal da China. Além disso, a produção doméstica de proteína animal deve ser ampliada.
“O Brasil desempenha um papel fundamental, e nossa indústria precisa de espaço. Por isso, vamos colaborar com traders e empresas de ambos os lados para incrementar a eficiência e a flexibilidade do setor”, declarou Tian.
Desafios e Oportunidades na Transição Energética
O plano da China para alcançar a neutralidade de carbono até 2050 também envolve metas ambiciosas relacionadas à transição energética. A produção de energia eólica offshore, com um alvo de 100 GW até 2030, e investimentos significativos na restauração de florestas são parte desse compromisso. Kevin Chen, reitor internacional da Academia Chinesa de Desenvolvimento Rural (Card), destacou que essa é uma área propensa à cooperação entre Brasil e China, visto que o Brasil possui metas semelhantes no âmbito do Acordo de Paris.
A Suzano, com uma relação de 40 anos com o mercado chinês, enfatiza os benefícios ambientais de sua inovação no cultivo de florestas comerciais. Utilizando um sistema de mosaico que intercalada com reservas de mata nativa, a Suzano consegue aprimorar a produtividade. “As florestas plantadas em mosaico apresentam rendimento superior. Isso exemplifica como tecnologia brasileira pode alinhar respeito ambiental à eficiência produtiva”, afirmou Pablo Machado, vice-presidente executivo da Suzano voltado para negócios na China.
Impactos das Mudanças Climáticas na Produção Agropecuária
André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), alertou sobre os desafios de manter-se como um grande produtor e exportador em um cenário de aquecimento global. Regiões nas fronteiras dos biomas Cerrado e Amazônia já estão registrando temperaturas entre 3°C e 4°C acima da média histórica. Estudos recentes indicam que um aumento de 1°C na temperatura pode resultar em perdas de produtividade de até 6% na soja e 8% no milho. Por outro lado, é interessante notar que a soja pode ser até 20% mais produtiva quando cultivada a até 100 metros de uma área de floresta.
Fortalecendo a Marca Brasil no Mercado Chinês
Por sua vez, Mendoza, da CNA/Senar, abordou a importância de incorporar a sustentabilidade como um diferencial na marca dos produtos brasileiros, especialmente no setor cafeeiro. A produção de café vem avançando com práticas de baixo carbono, e a CNA está trabalhando em parceria com a Apex-Brasil para promover a “marca Brasil” e conectar produtores de café premium aos consumidores chineses, que destinam 20% do seu mercado a grãos gourmet. Essas iniciativas não apenas reforçam a imagem do Brasil no exterior, mas também garantem que o país esteja alinhado com as demandas globais por produtos sustentáveis.
