Uma Imersão Cultural que Democratiza o Acesso à Arte na Região
A Semana de Teatro do Amapá, que se estende até o dia 5 de abril, leva uma série de apresentações gratuitas aos cidadãos de Macapá e Santana. O evento tem como proposta transformar as cidades em palcos vibrantes, onde espaços como praças, escolas e até feiras abrigam manifestações artísticas, rompendo com os limites dos teatros tradicionais.
Com essa iniciativa, a ideia é convidar o público a participar ativamente, incentivando um novo olhar sobre a cidade através do teatro. “Cada esquina pode se tornar uma plateia e cada cidadão é chamado a redescobrir a arte no seu cotidiano”, afirma Claudio Silva, membro do Conselho Diretor do Coletivo de Artistas, Produtores e Técnicos em Teatro e Artes do Estado do Amapá (CAPTTA).
Atuando há 18 anos, o CAPTTA se destaca pelo fortalecimento da cena teatral no estado. Para o coletivo, a Semana de Teatro é uma oportunidade de dar visibilidade ao trabalho dos artistas, promovendo uma verdadeira ocupação do espaço urbano. “Mais do que atuar em palcos, fazemos do nosso ofício um lar, uma trincheira e um portal para a imaginação e o ativismo social. Ocupar o espaço público é encher a cidade de arte, afeto e cidadania. O teatro não vive apenas sob os refletores, mas respira na presença do povo”, destaca Claudio.
Entre as apresentações, destacam-se dois espetáculos que têm chamado a atenção do público. O primeiro, “H-Urbanizados”, produzido pelo Grupo Âmago de Danças Contemporâneas, apresenta uma narrativa envolvente sobre uma floresta urbanizada em que os personagens moldam suas próprias gaiolas enquanto lutam pela sobrevivência, mesmo que isso signifique sacrificar a liberdade. Surge assim o “ser H-urbanizado”: um humano que resiste à expropriação de sua essência e da natureza, rebelando-se contra forças que aprisionam corpos e exaurem a terra.
Outro marco da programação é “Chica Fulô de Mandacaru”, um trabalho da Companhia Casa Circo, que foi criado em 2018. A peça aborda questões de identidade, raça e os desafios sociais presentes na Amazônia. Através de sua narrativa, critica os casamentos arranjados, ainda comuns em certos contextos amazônicos, e busca fomentar uma reflexão sobre a emancipação feminina, utilizando a linguagem teatral como ferramenta de sensibilização.
A realização da Semana Amapaense de Teatro é fruto de uma colaboração entre o CAPTTA e várias instituições, incluindo a Associação Ói Nóiz Akí, a Central de Produção Colaborativa (CPC), o Programa Nacional dos Comitês de Cultura no Amapá e a Secretaria de Estado da Cultura do Amapá (Secult-AP). Esse esforço conjunto visa não apenas a promoção da cultura local, mas também a consolidação do teatro como um elemento essencial da vida urbana e comunitária.
