Reflexões sobre a Conservação e a Gestão das Espécies Migratórias no Brasil
No contexto do Fórum de Alto Nível, a Secretária-Geral Adjunta das Nações Unidas e Diretora-Executiva Adjunta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Elizabeth Mrema, abriu o evento com palavras de agradecimento às autoridades presentes. Entre os destaques estavam a Secretária-Executiva da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias (CMS), Amy Frankel, e o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin. O governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, e a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, também marcaram presença, reforçando a importância do diálogo em defesa do meio ambiente.
A Sra. Mrema enfatizou que esta é apenas a segunda edição da COP das Espécies Migratórias realizada na América Latina, e destacou a relevância do Pantanal, berçário de vida e biodiversidade, como cenário para esse importante debate. “Estamos aqui para proteger as condições que sustentam a vida no planeta”, afirmou, chamando a atenção para a crise climática e a perda de biodiversidade que afetam não apenas o meio ambiente, mas também as populações mais vulneráveis.
Dados da CEPAL revelam que 9,8% da população da América Latina vive em situação de pobreza extrema, um aumento alarmante desde 2014. Este cenário de desigualdade intensifica a necessidade urgente de ações eficazes para enfrentar os desafios ambientais e sociais. “A proteção das espécies migratórias está intrinsicamente ligada à preservação dos ecossistemas que sustentam a vida”, ressaltou Mrema.
Os desafios destacados incluem a perda de habitats naturais, a sobre-exploração dos recursos, a poluição e as mudanças climáticas, que exigem uma resposta coordenada dos países. O evento se propõe a fortalecer a cooperação internacional e garantir a segurança das rotas migratórias para as gerações futuras. O Brasil, por exemplo, tem ampliado suas áreas protegidas e aprimorado suas políticas de biodiversidade, destacando a Estratégia e o Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB).
Essas iniciativas buscam mobilizar o governo em torno de metas globais para 2030, além de planos que visam a preservação de espécies ameaçadas e a recuperação de seus habitats. A necessidade de ação compactuada é urgente em um cenário de tensões geopolíticas e conflitos que dificultam a solidariedade entre as nações. “Devemos trabalhar juntos, de mãos dadas, pois a natureza não reconhece fronteiras. A cooperação é fundamental”, advertiu Mrema.
Ao abordar a importância do multilateralismo, a secretária convocou todos os presentes a defender uma agenda comum. “Que esta COP15 represente um marco na defesa da biodiversidade e na promoção de ações integradas entre os países”, afirmou, destacando a relevância de sinergias com outros acordos ambientais internacionais.
O evento também contou com a presença de representantes de convenções sobre diversidade biológica e comércio internacional de espécies ameaçadas, que reafirmaram os laços de cooperação necessários para enfrentar os desafios. O presidente Lula, que deve se juntar ao evento em breve, ressaltará a importância do Brasil como líder na construção de políticas efetivas para a biodiversidade.
Com a participação de diversos painelistas, o Fórum pretende ser um espaço de troca de experiências e conhecimentos. “O Brasil está comprometido em escalar os bons exemplos e fortalecer a colaboração internacional em defesa das espécies migratórias”, concluiu Mrema.
