Uma Proposta que Garante Inclusão
A deputada estadual Dani Monteiro, do PSOL-RJ, deu um passo significativo na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ao protocolar um projeto de lei voltado para o Programa de Apoio a Mães da Cultura Hip-Hop. A iniciativa visa assegurar que mulheres com filhos possam se integrar à cena cultural com dignidade e segurança. Em parceria nacional com a deputada federal Talíria Petrone, também do PSOL-RJ, que introduziu uma proposta similar no Congresso Nacional, o projeto busca abordar a exclusão das mães nesse espaço tão vital.
O texto da proposta delineia um conjunto de medidas para que eventos e iniciativas de hip-hop, apoiados pelo Estado, contem com infraestrutura adequada para a presença de mães e crianças. Isso inclui a criação de espaços infantis, fraldários e locais destinados à amamentação em equipamentos culturais, facilitando a participação ativa das mães artistas. Além disso, o projeto prevê apoio no transporte de mães e seus filhos, além de garantir prioridade em editais e programas de formação cultural específicos para mães inseridas na cultura urbana.
Um Olhar Crítico sobre a Exclusão
Na condição de presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Hip-Hop e da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (CDDHC) da Alerj, Dani Monteiro enfatiza que essa proposta visa enfrentar uma exclusão que, muitas vezes, passa despercebida na própria cena cultural. “O Hip-Hop tem suas raízes nos guetos e nas periferias, surgindo como um movimento de expressão e resistência, um verdadeiro grito por direitos na cidade. Contudo, muitas mulheres são afastadas desses espaços assim que se tornam mães. Isso não ocorre por falta de talento ou vontade de continuar na cultura, mas sim pela ausência de estrutura adequada”, destacou a deputada.
Ela ainda afirma que é essencial reconhecer o hip-hop como patrimônio cultural, o que deve vir acompanhado de políticas públicas que garantam o acesso concreto às mulheres. “Se o Estado apoia a cultura urbana, é imprescindível que também proporcione condições para que as mães possam estar nesses ambientes com seus filhos, atuando como trabalhadoras, produtoras e vivendo com dignidade. O cuidado não deve ser visto como um problema privado das mulheres”, argumentou Monteiro.
Um Chamado à Inclusão e Diversidade Cultural
“A maternidade não deve ser um fator de exclusão”, disse Dani Monteiro, ao concluir sua fala. “Queremos ver mães MCs, DJs, dançarinas, b-girls, produtoras e artistas ocupando as ruas, participando das rodas culturais e se apresentando em palcos. Fortalecer as mães na cultura Hip-Hop é, na verdade, fortalecer o movimento como um todo e expandir o direito à cultura nas periferias.” Assim, a proposta de Monteiro destaca a importância de um ambiente cultural inclusivo e que respeite as necessidades das mulheres, especialmente aquelas que desempenham o papel de mães.
