Michelle Bolsonaro se Destaca na Política do DF
A crise que envolve o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em meio ao caso Master, impulsionou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) a se tornar a principal articuladora política da direita na região. Anteriormente, o grupo contava com a força de Ibaneis, que foi reeleito em 2022 no primeiro turno, mas a dinâmica mudou, e agora as atenções se voltam para Michelle, que se prepara para assumir um papel decisivo nas próximas disputas eleitorais.
Nas eleições que se aproximam, Michelle será o principal nome para atrair votos, começando pela chapa puro-sangue do PL, que contará com ela e a deputada federal Bia Kicis, ambas como candidatas ao Senado. A ascensão da ex-primeira-dama não é apenas uma questão pessoal, mas uma estratégia para o Partido Liberal (PL) se reestruturar no cenário político do DF.
Após a divulgação das informações sobre o caso Master, o ex-governador José Roberto Arruda se manifestou, ressaltando que, após alterações na Lei da Ficha Limpa, “não há dúvida de que o prazo de inelegibilidade” termina antes das eleições deste ano. Essa declaração, feita em um comunicado enviado à imprensa, acrescenta mais um elemento à complexa situação política local.
No PL, a tensão é palpável entre os políticos, tanto na Câmara quanto no Senado. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, adotou uma postura neutra, conforme reportado por um parlamentar, deixando claro que não pretende ir contra a vontade de Michelle. Ela ficará responsável por administrar as articulações do partido no DF, mas Valdemar também permitiu que congressistas apoiassem outros candidatos. Isso é especialmente relevante para Arruda, que é visto como o preferido entre os membros locais do PL, a não ser que Michelle decida apoiar outra figura, como Celina Leão.
O deputado Alberto Fraga (PL-DF) expressou a sua intenção de permanecer no PL, mas com a liberdade de apoiar seu candidato, o que demonstra a fragilidade da unidade interna da sigla neste momento.
A Queda de Ibaneis e as Novas Perspectivas
Antes da revelação do envolvimento de Ibaneis no caso do Banco Master, ele era visto como uma figura forte para a disputa ao Senado em 2026. O governador foi eleito em 2018 com uma impressionante maioria de quase 70% dos votos no segundo turno e reeleito em 2022 com 50,3% dos votos válidos. Contudo, os ventos mudaram, e sua imagem política está em xeque.
Nos bastidores, aliados de Michelle comentam que ela observa com satisfação a derrocada de Ibaneis. Desde o início das investigações sobre o Banco Master, a ex-primeira-dama não apenas se manteve informada, mas também parece ter apreciado as reviravoltas envolvendo o governador e a pressão que ele enfrenta na Câmara Legislativa do DF, onde um pedido de CPI sobre o caso foi protocolado.
Recentemente, Ibaneis demitiu funcionários de seu governo que foram indicados por deputados da base aliada, após a aprovação de um socorro ao Banco de Brasília (BRB) que gerou divisões internas, com 14 votos a favor e 10 contra. Essa ação reflete a crescente desconfiança em sua liderança e o impacto negativo que a crise está tendo sobre sua administração.
O Ministério Público reconheceu a conexão entre os acontecimentos que envolvem o governador, o que pode complicar ainda mais sua situação eleitoral. A instância solicitou a prevenção da 2ª Vara da Fazenda Pública, o que implica que os prazos e as normas eleitorais serão rigorosamente observados. Isso significa que, com base em decisões anteriores, o prazo de inelegibilidade que Ibaneis enfrentaria pode estar mais próximo do fim do que muitos esperavam, já que a primeira decisão condenatória ocorreu em julho de 2014, encerrando qualquer restrição em 2022.
Além disso, mesmo que uma interpretação mais rigorosa fosse adotada, a nova legislação, estabelecida pela LC nº 219/2025, limita a soma das inelegibilidades a 12 anos, o que ainda assim colocaria Ibaneis em uma posição competitiva para as eleições de 2026. Independentemente do cenário, as novas regras parecem favorecer a sua possível candidatura, mas a confiança em sua liderança continua a se deteriorar.
Assim, à luz das novas configurações políticas no DF, resta saber até onde a ascensão de Michelle Bolsonaro poderá influenciar o cenário e qual será o futuro de Ibaneis Rocha. A disputa promete ser acirrada e, para muitos, já se tornou uma questão de sobrevivência política.
