Uma Celebração da Cultura Amapaense
A Marquês de Sapucaí se encheu de emoção e ritmo na primeira noite de apresentações do Grupo Especial, onde a Estação Primeira de Mangueira encantou o público com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. Sob a liderança de Raimundo dos Santos Souza, conhecido como Doutor da Floresta, o desfile destacou a rica cultura e ancestralidade afro-indígena, traçando um elo entre a diversidade brasileira e a resistência cultural.
O refrão “Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá” ressoou entre os sambistas, evocando um profundo sentimento de brasilidade, independentemente das origens. A apresentação, que contou com 3 mil componentes, foi marcada por 27 alas, cinco alegorias e um tripé, proporcionando um espetáculo visual que começou com uma comissão de frente fascinante, onde as onças iluminadas estabeleceram uma conexão imediata com o público.
Encantos que Exaltam a Amazônia
No desfile, o Amapá foi celebrado através de cinco encantos, com o Mestre Sacaca sendo invocado no primeiro ato, durante o ritual do Turé. A figura do xamã Babalaô ressoou ao longo da apresentação, simbolizando a continuidade da missão espiritual pela Amazônia Negra. A influência indígena esteve presente, com o Coletivo Waçá-Wara cuidando do olhar atento sobre a cultura indígena, enquanto os ritmos do marabaixo e os rituais do Encontro dos Tambores foram trazidos à vida nas alegorias da escola.
A secretária de Cultura do Amapá, Clicia Di Miceli, ressaltou a colaboração do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura e da Fundação Marabaixo, no desenvolvimento do enredo e na escolha do samba. “Foram meses de imersão em nossas tradições e costumes, com experiências e entrevistas com aqueles que mantêm viva a cultura amapaense”, comentou.
Uma Homenagem Coletiva
A presença de amapaenses na Sapucaí foi um reflexo do impacto do enredo, que tocou o coração de todos os espectadores. A família de Mestre Sacaca, incluindo sua viúva Madalena e seus filhos, foi uma das atrações do último carro. A intérprete Patrícia Bastos trouxe emoção ao cantar o samba, enquanto diversas personalidades negras, como Francisco Lino e Alzira Nogueira, desfilaram, representando a força da identidade cultural.
Gizele Menezes, pedagoga e integrante da ala de São Thiago, expressou sua emoção: “Estar na Sapucaí, falando de nossa terra, de um vizinho que foi presente em nossas vidas, é algo indescritível.”
Uma Experiência Cultural Internacional
Mesmo aqueles que estão longe do Brasil, como a macapaense Marcela Coutinho e o paulistano Mauro Mansano, que vivem em Berlim, se uniram à festa, viajando para assistir ao desfile. “Foi muito emocionante ver o carro abre alas com os barcos, rios e florestas. A representação do Amapá nesse palco mundial foi simplesmente linda”, disse Marcela, que também comentou sobre os remédios naturais que recebeu de Sacaca, que a ajudaram em sua saúde.
Reconhecimento da Crítica e Expectativa de Vitória
A magia e a riqueza cultural mostradas no desfile foram amplamente elogiadas pela imprensa e críticos de carnaval, que reconheceram a Mangueira como uma das apresentações mais significativas da noite. Os especialistas acreditam que a escola tem grandes chances de ser uma das favoritas no Sábado das Campeãs. O desfile foi acompanhado em Macapá, onde um telão instalado na praça da Bandeira permitiu que o público se unisse em uma só celebração, sob a liderança do governador Clécio Luís e do senador Davi Alcolumbre.
Os campeões do carnaval carioca serão revelados nesta quarta-feira (18), e a expectativa entre os amapaenses é que a Estação Primeira de Mangueira conquiste a vitória. O desfile foi mais do que um espetáculo; foi uma verdadeira celebração da história e da cultura do Amapá, com um forte apelo emocional que certamente ficará na memória de todos.
