Investigações Apontam Irregularidades no Dnit
A Polícia Federal (PF) flagrou o segundo suplente do senador Davi Alcolumbre, Chaves Pinto, realizando um saque de R$ 350 mil em uma agência bancária no Amapá, no contexto de uma investigação que apura desvios de verbas no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O alerta inicial veio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou R$ 99 milhões em transações financeiras de Zettel, uma figura associada ao suposto esquema, que eram incompatíveis com a renda declarada.
Com base em informações obtidas pelo Coaf, os agentes começaram a monitorar Chaves Pinto, que é suspeito de ser um dos líderes de uma organização criminosa envolvida em fraudes em licitações do Dnit. A investigação aponta que ele utilizou sua posição como suplente de senador para exercer influência indevida nos processos licitatórios.
Saques Suspeitos em Datas Estratégicas
De acordo com o relatório da PF, as investigações revelaram que os saques acumulados nas contas das empresas de Chaves Pinto ultrapassam R$ 3 milhões. Esses saques costumavam ser feitos em intervalos próximos ao recebimento de pagamentos de contratos públicos, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.
Ao ser questionado sobre os saques, Chaves Pinto alegou que os valores eram destinados a pagamentos de funcionários e prestadores de serviços. Ele ainda destacou que o processo está sob segredo de Justiça, o que restringe as declarações fora do âmbito judicial.
Davi Alcolumbre, por sua vez, enfatizou que não tem relação com as atividades empresariais de seu suplente, apesar das evidências que ligam ambos através de transações comerciais.
Monitoramento da PF e Revelações de Conexões Políticas
O saque de R$ 350 mil, realizado em 7 de novembro de 2024, foi monitorado pela PF, que posicionou agentes em frente à agência onde ocorreu a retirada. Chaves Pinto, que se deslocou em uma SUV branca, foi observado ao entrar e sair do banco, levando consigo uma mochila azul.
A investigação ainda conectou o veículo utilizado pelo empresário a uma empresa registrada em nome de primos de Alcolumbre. Embora a assessoria do senador tenha informado que o carro foi vendido para Chaves Pinto após o ocorrido, as datas e as circunstâncias levantam questionamentos sobre a integridade do processo.
Organização Criminosa e Licitações Fraudadas
As apurações da PF revelaram que uma organização criminosa estaria manipulando o caráter competitivo de licitações do Dnit no Amapá. A análise de diálogos interceptados pelos investigadores sugere que Chaves Pinto estava coordenando esforços para assegurar a liberação de verbas, destacando a atuação de Alcolumbre na pressão sobre o governo para facilitar os pagamentos necessários.
Os contratos sob investigação somam R$ 60,2 milhões e envolvem pregões para a manutenção da BR-156, a principal rodovia do Amapá. Auditorias da Controladoria-Geral da União indicaram que havia um direcionamento nas licitações favorecendo determinadas empresas, além de indícios de superfaturamento e lavagem de dinheiro.
Precariedade na Infraestrutura e Respostas do Dnit
A precariedade na manutenção da BR-156 não só compromete a segurança viária, mas também impacta diretamente o acesso da população a serviços essenciais. O Dnit, responsável pela fiscalização e implementação de políticas de infraestrutura de transportes, foi contatado, mas até o momento não se manifestou sobre os detalhes da investigação.
Em resposta às apurações, o Dnit disse estar colaborando com as investigações e que possui políticas internas para prevenir a corrupção e fraudes. O órgão reafirmou seu compromisso de repúdio a práticas ilícitas e está adotando medidas para apurar os fatos em questão.
Histórico de Investigação de Chaves Pinto
Vale lembrar que Chaves Pinto já havia sido alvo de investigações anteriores, incluindo uma operação em dezembro de 2022, onde foram apreendidos cerca de R$ 800 mil em sua empresa durante uma apuração sobre fraudes e superfaturamento em obras no Amapá. O empresário também é investigado por crimes como organização criminosa e lavagem de dinheiro, e seus vínculos com as práticas ilícitas levantam sérias preocupações sobre a governança no setor público.
