Aumento de Casos no Brasil
O Brasil alcançou a marca de 140 casos confirmados de mpox em 2026, conforme o painel epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado na última segunda-feira, dia 9. Além disso, há 539 casos classificados como suspeitos e nove como prováveis, sem registro de óbitos até o momento.
A maior concentração de casos se verifica no estado de São Paulo, que contabiliza 93 registros. O Rio de Janeiro ocupa a segunda posição, com 18 casos. Outros estados também apresentam casos, como Minas Gerais e Roraima, ambos com 11, seguidos pelo Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com três, e Paraná, com dois. Além disso, há registros em Pará, Amapá, Ceará, Distrito Federal e Sergipe.
Em comparação, no final de fevereiro, o Brasil tinha 88 casos confirmados, fazendo com que o aumento nas últimas semanas represente uma alta de 59%. Para contextualizar, em 2025, foram contabilizados 1.059 casos confirmados e três óbitos registrados.
Impacto do Carnaval
O infectologista Álvaro Costa, membro do comitê de infecções sexualmente transmissíveis da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e consultor técnico do Ministério da Saúde, aponta que o aumento recente pode estar ligado ao carnaval, um período que gera intensificação nas interações sociais.
Embora não considere a situação alarmante, Costa avisa para a importância da vacinação como medida preventiva contra a doença.
O Que é a Mpox?
A mpox é uma infecção causada pelo vírus MPXV, cuja transmissão ocorre por meio de contato direto com pessoas infectadas, seja por abraços, beijos, relações sexuais ou pela manipulação de materiais contaminados, como roupas e utensílios.
Costa explica que a transmissão do mpox tem uma facilidade maior durante atividades sexuais, onde os contatos pele a pele são mais frequentes e intensos.
Sintomas da Infecção
O período de incubação da mpox varia de 3 a 16 dias, podendo chegar até 21 dias. Os principais sintomas incluem erupções cutâneas, linfonodos inchados, febre, dores no corpo, cefaleia, calafrios e fraqueza. Normalmente, esses sintomas duram de duas a quatro semanas e podem ser mais severos em indivíduos imunossuprimidos.
A maioria das lesões tende a cicatrizar sem complicações, mas a orientação é que qualquer pessoa que apresente sintomas busque atendimento médico.
Prevenção da Mpox
De acordo com Costa, a vacinação é o método mais efetivo para prevenir a infecção. No Brasil, a imunização contra a mpox teve início em 2023, após a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o uso provisório da vacina Jynneos, desenvolvida pela farmacêutica Bavarian Nordic.
No entanto, o acesso à vacina é restrito, uma vez que a Bavarian é a única fabricante, limitando a produção disponível para diferentes países e exigindo a priorização de grupos específicos. No Brasil, têm direito à vacinação:
- Pessoas de 18 a 49 anos vivendo com HIV/Aids e profissionais que trabalham com o vírus em laboratórios;
- Indivíduos acima de 18 anos que tiveram exposição ao vírus por contato direto ou indireto com fluidos de pessoas infectadas;
- Se houver disponibilidade de vacinas na rede, pessoas em situações de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) também podem ser vacinadas.
Além da vacinação, o Ministério da Saúde recomenda o uso de luvas e máscaras para aqueles que têm contato com infectados. Outras medidas preventivas incluem a lavagem frequente das mãos, o uso de álcool em gel e a limpeza regular de roupas e superfícies, além do descarte adequado de resíduos contaminados.
