Acusações de Propaganda Antecipada
O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou uma representação formal contra Antônio Paulo de Oliveira Furlan, ex-prefeito de Macapá, acusado de estar promovendo propaganda eleitoral antecipada. Furlan, que ocupou o cargo até a semana passada após ser afastado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), está no centro de uma controvérsia que pode impactar sua carreira política.
Conhecido como Dr. Furlan, ele estava cumprindo seu segundo mandato na Prefeitura de Macapá. Em 2024, foi reeleito com impressionantes 85,08% dos votos válidos, um dos mais altos índices entre as capitais brasileiras. Sua renúncia, no entanto, parece ter sido uma estratégia para evitar a cassação de seu mandato, que poderia comprometer suas ambições de candidatura ao governo do Amapá.
A situação de Furlan se agrava em meio a uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga um possível esquema de fraudes em licitações na capital amapaense. Após a operação, o ex-prefeito divulgou um vídeo, em que, apesar de não citar diretamente a investigação, comentou sobre “ataques e perseguições” que estaria sofrendo, e anunciou sua pré-candidatura ao governo estadual.
Troca de Comando na Prefeitura
Com a saída de Furlan, a responsabilidade pela administração municipal foi transferida para Pedro DaLua, do União Brasil, que era o presidente da Câmara Municipal de Macapá. A posse de DaLua aconteceu em uma cerimônia realizada no Palácio Laurindo Banha, marcando uma nova etapa na gestão da cidade.
Vídeos e Redes Sociais: Investigação em Andamento
Na representação, o MPE argumenta que algumas expressões utilizadas por Furlan em seu vídeo são consideradas pedidos indiretos de votos. O órgão solicitou, inclusive, a remoção imediata do conteúdo e a aplicação de uma multa. Além disso, o MPE observou publicações nas redes sociais do ex-prefeito que continham frases como “eu conto com vocês pra gente vencer tudo e todos” e “convido todos vocês pra gente construir um Estado melhor”. Para o Ministério Público, essas mensagens configuram um pedido de apoio eleitoral antes do início formal da campanha.
Outro ponto destacado na acusação são vídeos de apoiadores de Furlan que o chamam de “futuro governador”. Em suas postagens, o ex-prefeito ainda adicionou legendas como “seguimos juntos rumo ao futuro”, o que, segundo a Procuradoria Regional Eleitoral do Amapá, transformou manifestações individuais em propaganda eleitoral explícita ao serem republicadas em perfis de grande alcance.
Operação Paroxismo e Suspeitas de Crime
A investigação que envolve Dr. Furlan faz parte da Operação Paroxismo. Durante a segunda fase da operação, a PF cumpriu 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Macapá, Belém (PA) e Natal (RN). Além do ex-prefeito, o STF também determinou o afastamento de vários servidores públicos investigados, com um prazo de 60 dias.
A Polícia Federal revelou indícios de um “esquema criminoso” que teria envolvimento de agentes públicos, incluindo Furlan e o empresário Mario Neto, com suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em contratos relacionados às obras do Hospital Geral Municipal de Macapá. A situação permanece sob investigação, e novos desdobramentos são aguardados.
