Celebração dos 50 Anos da Funarte
Na última quarta-feira (4), Brasília viveu um dia marcante para a cultura brasileira. O evento, intitulado Memória e Futuro da Dança Brasileira: políticas públicas que atravessam o tempo, fez parte das comemorações de 50 anos da Fundação Nacional das Artes (Funarte). A cerimônia ocorreu no Teatro Nacional Claudio Santoro, reunindo artistas, gestores e autoridades em uma celebração da trajetória e da importância da Funarte nas políticas culturais do país.
Entre os presentes, destacou-se a ministra da Cultura, Margareth Menezes, juntamente com Maria Marighella, presidenta da Funarte, e Márcio Tavares, secretário-executivo do Ministério da Cultura. Eles contaram com a presença de representantes do Governo do Distrito Federal e de diversos setores artísticos.
Durante seu discurso, a ministra ressaltou o contexto de transformação que o setor cultural brasileiro está vivenciando. Margareth relacionou o cinquentenário da Funarte com a ampliação das políticas culturais em todo o território nacional. “Estamos vivendo um momento de transformação e ampliação das políticas culturais, e a Funarte está se renovando”, afirmou com entusiasmo.
A titular da Cultura também falou sobre a importância de fortalecer as diversas linguagens artísticas. O novo modelo institucional da Funarte traz diretorias específicas para dança, música, teatro e circo, ressaltando um processo de renovação institucional. “Esse trabalho que Maria Marighella e sua equipe estão fazendo é um presente para todos nós”, celebrou.
Margareth Menezes finalizou seu discurso desejando longevidade à instituição: “Que a Funarte continue fazendo arte em nossas vidas por mais cinquenta anos e além.”
Reflexões sobre a História da Funarte
Maria Marighella enfatizou o significado do cinquentenário, lembrando que a Funarte foi criada uma década antes do Ministério da Cultura, datando sua fundação de 16 de dezembro de 1975, em meio à ditadura militar. “A Funarte, que nasceu durante a repressão, foi um reflexo do desejo de artistas e intelectuais por uma democracia”, explicou.
A presidenta da Funarte salientou o papel crucial da instituição na promoção das artes brasileiras, abrangendo áreas como teatro, circo, dança, artes visuais e música. “70% dos projetos que passam pela Lei Rouanet são apoiados pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) da Funarte”, afirmou, destacando a relevância do apoio que a instituição oferece.
Maria também mencionou projetos emblemáticos como o Projeto Pixinguinha e citou equipamentos culturais ligados à Funarte, como os teatros Dulcina, Glauce e Cacilda Becker, além dos complexos culturais em São Paulo e Minas Gerais. Um dos anúncios importantes da noite foi a reabertura do Centro de Documentação da Funarte, que se tornará o Centro Nacional da Memória das Artes do Brasil, ampliando o compromisso da instituição com a preservação da memória cultural do país.
A programação da noite começou às 19 horas com uma abertura institucional e a exibição do vídeo comemorativo Funarte 50 Anos. O diretor do Centro de Dança da Funarte, Rui Moreira, e o secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Claudio Abrantes, também se dirigiram ao público.
Após a solenidade, os presentes puderam desfrutar do espetáculo A Escultura, realizado por Yara de Cunto, uma mestra reconhecida pelo Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes, ao lado de Giselle Rodrigues e sob a direção de Adriano Guimarães.
Programação Cultural em Manaus
Antes do evento em Brasília, o marco dos 50 anos da Funarte também promoveu um encontro significativo em Manaus (AM). No dia 28, o Centro Cultural Palácio da Justiça sediou o encontro Grupos, Memória e Acervos do Teatro Brasileiro, reunindo artistas, pesquisadores e representantes de coletivos teatrais de várias regiões do Brasil.
A abertura contou com a presença de Maria Marighella e autoridades locais, seguida por uma palestra de Márcio Braz, abordando a criação de memória, e uma roda de conversa focada na preservação da memória do teatro brasileiro. Participaram do debate grupos renomados como Bando de Teatro Olodum (BA) e Teatro Experimental de Alta Floresta (MT).
A programação também incluiu o lançamento do livro Por um Museu de Memórias da Cena e da revista Cavalo Louco, ambas voltadas para a preservação da memória das artes cênicas no Brasil. O dia foi encerrado com o espetáculo Sebastião, do Grupo Ateliê 23 (AM), que teve entrada gratuita para o público local.
Comemorando meio século de existência, a Funarte reafirma seu papel como um espaço vital para as artes no Brasil, celebrando seu legado e projetando um futuro onde a arte e a cultura continuem a florescer em todo o território nacional.
