Um marco no circuito audiovisual
No dia 27 de fevereiro, o cinema amazônida vivenciou um momento excepcional com a estreia do filme A Escuridão Sorrateira, no Auditório Macapá do Sebrae Amapá. A sessão especial reuniu realizadores, artistas, jornalistas e personalidades do setor institucional, simbolizando um passo importante para o fortalecimento do audiovisual produzido no estado.
Dirigido por Kleber Wandel, o curta-metragem se inspira no apagão que afetou o Amapá em novembro de 2020, transformando esse episódio histórico em uma experiência de suspense psicológico e reflexão sensorial. A narrativa se concentra em Cecília, interpretada por Gabriela de Matoz, que lida com o isolamento e o luto em uma cidade adormecida na escuridão. Dessa forma, o filme cria uma metáfora poderosa sobre memória, resistência e sobrevivência.
O público presente na exibição respondeu com entusiasmo, destacando a força estética da obra e a sensibilidade do roteiro. Muitos ressaltaram como o filme traduz uma experiência coletiva em uma linguagem cinematográfica envolvente. Ao final da sessão, a equipe foi calorosamente aplaudida, solidificando a recepção positiva do filme em sua estreia oficial.
“Esse filme nasce de uma ferida coletiva. Transformar o apagão em cinema foi uma forma de resgatar nossa memória e afirmar que o Amapá também conta suas próprias histórias”, comentou o diretor Kleber Wandel, refletindo sobre a importância do projeto.
A Escuridão Sorrateira é uma produção da Ói Nóiz Akí, Central de Produção Colaborativa e Wändel Filmes, com roteiro de Laura Martins e Dylan Cavalcante. O filme foi viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo, reconhecida por apoiar iniciativas culturais, por meio do edital Latitude Zero – Audiovisual, sob a gestão da Secretaria de Estado da Cultura do Amapá e com apoio do Ministério da Cultura.
A estreia no Sebrae Amapá também representa um momento significativo de aproximação entre o setor cultural e as iniciativas de fomento à economia criativa. A receptividade da instituição às produções audiovisuais reafirma o reconhecimento do cinema como uma atividade estratégica, capaz de gerar valor cultural, social e econômico para o estado.
Após a premiere, A Escuridão Sorrateira dará início à sua trajetória de circulação, com inscrições programadas para festivais e editais audiovisuais, tanto no Brasil quanto no exterior. Essa iniciativa amplia a presença do cinema amazônida em novos horizontes, consolidando a força de uma nova geração de realizadores do Amapá.
