Oportunidades no Agronegócio
Com o crescimento do agronegócio e a interiorização dos investimentos, Mato Grosso do Sul se destaca novamente para grandes redes hoteleiras. Recentemente, a Accor anunciou planos de expansão no Estado, direcionando seus novos empreendimentos principalmente para o turismo de negócios relacionado ao setor agropecuário. Atualmente, a rede opera cinco hotéis em Mato Grosso do Sul, com dois outros empreendimentos da bandeira Ibis em construção, um em Dourados e outro em Chapadão do Sul.
Segundo Abel Castro, Chief Development Officer da Accor Americas para a divisão Premium, Midscale & Economy (PM&E), o investimento total para esses projetos é de aproximadamente R$ 80 milhões, ou cerca de R$ 40 milhões por unidade. Castro destacou em entrevista durante um evento em São Paulo que a estratégia adotada pela rede é baseada em franquias, onde os parceiros locais realizam o investimento nas obras, enquanto a Accor fornece a marca, tecnologia e serviços de marketing.
“A Accor não é responsável pelos investimentos diretos. Nós aplicamos recursos em marketing, marca, tecnologia e design, enquanto o investidor local financia a construção,” explicou Castro. Essa abordagem reflete um crescente interesse do setor privado por cidades de médio porte que têm se tornado relevantes devido ao avanço do agronegócio.
Transformações Econômicas no Interior
Essa nova dinâmica de investimentos representa uma mudança significativa na economia de várias cidades do interior de Mato Grosso do Sul. Castro afirmou que municípios que antes não eram considerados atraentes passaram a mostrar potencial devido à força do agronegócio. Dourados e Chapadão do Sul, por exemplo, se firmaram como polos regionais, atraindo profissionais das áreas de soja, milho, algodão, proteína animal e agroindústria.
Os dados do Banco do Brasil revelam que Mato Grosso do Sul liderou o crescimento do setor agropecuário no Brasil em 2025, apresentando um aumento de 17,9%. O Estado superou Tocantins e Paraná, confirmando o agronegócio como motor do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, um tema já abordado em reportagens anteriores.
Esse crescimento vai além da produção primária. A instalação de usinas, indústrias de celulose e frigoríficos está ampliando o número de viagens corporativas e estadias prolongadas, aumentando a demanda por hospedagens padronizadas e de custo acessível.
Campo Grande e Destinos de Lazer
A estratégia de expansão da Accor também inclui Campo Grande, a capital do Estado, que concentra boa parte do turismo de negócios, além de servir como porta de entrada para destinos turísticos populares, como Bonito e a Região do Pantanal. Castro comentou sobre a singularidade do Estado: “Temos uma capital forte, com foco em negócios, mas que também oferece opções de lazer nas proximidades.”
Em Bonito, um dos principais destinos de ecoturismo, a Accor conseguiu viabilizar um projeto que desejava há muito tempo. “Recentemente, assinamos um contrato para operar um hotel que anteriormente era administrado por outra empresa. Agora, estamos lançando o Ibis Styles na região,” contou o executivo.
Potencial do Turismo no Estado
Conforme já relatado pelo Correio do Estado, um estudo realizado pelo Observatório de Turismo e pela Prefeitura de Campo Grande, conforme mencionado por Juliano Wertheimer, presidente do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de Mato Grosso do Sul (Sindha MS), revelou que a capital possui mais de 8 mil leitos e mais de 2,5 mil estabelecimentos de alimentação.
Wertheimer observou que a maior parte do fluxo turístico é interno. Ele ressaltou que o setor poderia se beneficiar ainda mais com a atração de grandes eventos. “Caso houvesse mais eventos de relevância nacional e internacional, poderíamos atrair um público diversificado, além do turismo interno, que costuma ter um ticket médio mais baixo,” acrescentou.
Crescimento dos Setores de Hotelaria e Gastronomia
Os dados do Sindha MS também mostram oportunidades de crescimento no setor. Mato Grosso do Sul conta com cerca de 25 mil estabelecimentos de alimentação e aproximadamente 1.580 meios de hospedagem. Wertheimer acredita que o progresso desses setores está intimamente ligado tanto ao turismo de lazer quanto à inauguração de novas indústrias.
“O crescimento da gastronomia e da hotelaria está diretamente relacionado ao turismo de lazer, mas também com a chegada de novas indústrias em cidades como Ribas do Rio Pardo e Inocência,” afirmou. Essas cidades têm atraído investimentos bilionários no setor de celulose, alterando a demanda por serviços de forma significativa.
Bruno Wendling, diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, também compartilha dessa visão, ressaltando que, além de Campo Grande, outros municípios, como Bonito, estão se destacando como destinos para negócios. “Dourados pode abrigar eventos menores, enquanto Três Lagoas possui uma rede hoteleira em expansão devido às empresas que se instalaram na região,” comentou. A estratégia da Accor de expandir sua atuação em Mato Grosso do Sul é parte de um movimento mais amplo no Brasil, onde a rede busca crescimento por meio de franquias e contratos de gestão, especialmente em mercados regionais impulsionados por setores econômicos específicos, como o agronegócio.
