Desastres Naturais e Deslocamentos Humanos
Nos últimos dias, o Brasil tem assistido a um drama alarmante em Juiz de Fora, Minas Gerais. Fortes chuvas causaram deslizamentos que resultaram em 55 mortes e deixaram cerca de 4.200 pessoas desabrigadas, conforme dados da Prefeitura Municipal. Este evento extremo se soma a uma série de catástrofes climáticas que assolaram o país, como as enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul em 2024, a seca e os incêndios que comprometeram a Amazônia e o Pantanal, e as ondas de calor que atingiram várias regiões. No final do ano passado, um tornado atingiu o Paraná, mostrando que os fenômenos climáticos estão se tornando cada vez mais frequentes e devastadores.
As consequências desses desastres não são apenas locais. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), cerca de 250 milhões de pessoas foram deslocadas dentro de seus países na última década, o que equivale a uma média de cerca de 70 mil deslocamentos diários. O cenário se torna ainda mais preocupante quando analisamos a afirmação do sociólogo Michael Löwy: “a ecologia é a questão política, social e humana central no século XXI”. Para ele, a classe política tem focado mais na adaptação a essas mudanças, ao invés de investir na prevenção.
Adaptação ou Prevenção? A Reação da Política
Löwy critica a abordagem da política atual, que, segundo ele, se limita a uma resignação à inevitabilidade das mudanças climáticas. “Se a temperatura continuar a subir, a adaptação se tornará impossível. Como podemos nos adaptar a temperaturas que ultrapassam os 50 graus? E se a água potável se tornar um recurso escasso?”, questiona. A urgência de ações efetivas e preventivas se torna clara diante de um futuro incerto.
Reflexões sobre Ecologia Integral
Michael Löwy é um dos painelistas no Ciclo de Estudos sobre Ecologia Integral, que ocorrerá em 4 de março de 2026, em parceria com a Comissão para Ecologia Integral e Mineração (CEEM) e o Instituto Humanitas Unisinos – IHU. O evento contará com a participação de Dom Vicente Ferreira e Roberto Malvezzi, que discutirão ecologia integral e ecossocialismo como alternativas ao modelo capitalista atual.
Neste ciclo de estudos, as reflexões girarão em torno da construção de um futuro que respeite o ecossistema e promova justiça social. Para Löwy, o ecossocialismo não é apenas uma alternativa, mas uma necessidade diante do que ele denomina “ecocídio capitalista”, que ameaça a vida no planeta. “O ecossocialismo é orientado pela satisfação das necessidades reais das pessoas e pelo respeito ao equilíbrio ecológico”, enfatiza. Ele acredita que, livres da propaganda consumista, as pessoas decidirão democraticamente sobre suas reais necessidades.
Um Chamado à Ação
A proposta de Löwy é um modelo que busca a liberdade da sociedade, estabelecendo um equilíbrio entre a satisfação das necessidades humanas e a proteção do meio ambiente. Ele destaca que a transformação necessária não pode ser alcançada por meio do simples desgaste do aparato do Estado capitalista; é preciso uma ruptura com o modelo atual. “O ecossocialismo é uma aposta na racionalidade democrática das classes populares”, afirma.
O Legado de Francisco e a Contribuição da Laudato Si’
O sociólogo também é uma voz influente na crítica ao capitalismo e na defesa de um modelo de desenvolvimento que não só reconheça, mas também combata a destruição ambiental. Ele ressalta a relevância da encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, que, segundo ele, representa um marco na conscientização ecológica. “A encíclica do Papa é uma contribuição inestimável diante da catástrofe socioambiental, questionando as elites e a ‘ecologia de mercado'”, aponta.
Conclusão: Caminhos para o Futuro
A crescente urgência em abordar as questões ecológicas requer uma nova perspectiva política. A reflexão crítica proposta por Löwy compõe um quadro mais amplo sobre a necessidade de se reavaliar a relação da sociedade com o meio ambiente. O Ciclo de Estudos que se aproxima representa uma oportunidade ímpar para discutir tais questões e moldar um futuro mais sustentável e justo, destacando a importância de ações concretas para enfrentar os desafios que a atualidade nos apresenta.
