A Crise Agrícola no Amapá
Desde 2024, o Amapá vive uma situação alarmante em relação à vassoura-de-bruxa, uma doença que afeta severamente a mandioca, fundamental para a subsistência de muitos indígenas e agricultores locais. Até agora, dez dos dezesseis municípios do estado já registraram casos da enfermidade, que é provocada pelo fungo Ceratobasidium theobromae. Especialistas suspeitam que a doença tenha sido introduzida no Amapá através da fronteira com a Guiana-Francesa.
O impacto da vassoura-de-bruxa é devastador. O fungo bloqueia a circulação da seiva no caule da planta, levando à sua secagem e morte. Para os agricultores, isso representa não apenas a perda da colheita, mas o desgaste emocional e econômico de ver seu sustento ruir. “A perda de uma roça é como perder uma vida”, afirma o cacique Gilberto Iaparrá, que relata como muitos produtores se veem obrigados a recorrer ao Bolsa Família, programa do governo federal, como alternativa de sobrevivência.
“Não tinha mais pra onde correr. Era melhor trabalhar e plantar, porque quando há rendimento, é melhor que o Bolsa Família. A gente costumava fazer 100 kg, ganhando R$ 1.400. Hoje não tem”, desabafa Iaparrá, refletindo a realidade amarga de muitos que dependem da mandioca como fonte de renda.
Desafios e Investimentos do Governo
Para agrônomos como Stephan Winter, a vassoura-de-bruxa representa uma das principais preocupações do setor agrícola. Winter, que acompanha as condições da lavoura, destaca a falta de informações sobre o comportamento do fungo, o que torna o manejo da doença um desafio ainda maior. “É realmente preocupante, pois as opções de tratamento e prevenção são limitadas”, afirma.
Em resposta à crise, o governo do estado já destinou cerca de R$ 8 milhões para implementar ações de contenção e controle da doença. Beatriz Barros, secretária de Desenvolvimento Rural do Amapá, informa que o investimento visa apoiar os agricultores na recuperação de suas lavouras e na pesquisa de soluções eficazes. “Estamos cientes da gravidade da situação e trabalhando para mitigar os danos”, garante Barros.
Além das iniciativas governamentais, a solidariedade entre as comunidades é um elemento vital. Grupos locais têm se mobilizado para compartilhar conhecimentos sobre técnicas agrícolas que podem ajudar na convivência com a doença. Embora haja um senso de desespero frente à situação, a união entre os agricultores indígenas traz uma esperança renovada de que, juntos, eles possam encontrar formas de superar essa adversidade.
O Futuro da Agricultura Indígena
Espera-se que, com o aumento das pesquisas e o apoio contínuo do governo, a situação da agricultura indígena no Amapá melhore ao longo dos próximos anos. A vassoura-de-bruxa, pelo menos por enquanto, ainda representa uma sombra sobre o futuro agrícola regional, mas as medidas em andamento podem ser um passo em direção a uma recuperação sustentável.
Assim, o trabalho conjunto entre as comunidades, especialistas e autoridades pode não apenas mitigar os danos causados pela vassoura-de-bruxa, mas também promover uma resiliência a longo prazo no setor agrícola do Amapá.
