Análise dos efeitos econômicos na diminuição do fluxo turístico argentino em Santa Catarina
Em 2026, Santa Catarina observou uma considerável redução na quantidade de turistas durante a sua esperada alta temporada de verão. Dados preliminares divulgados pela Fecomércio/SC evidenciam uma diminuição na presença de visitantes, especialmente dos argentinos, que historicamente compõem uma parcela significativa dos turistas na região.
Conforme a pesquisa, a participação dos turistas argentinos despencou de 22% em janeiro de 2025 para 19% no mesmo mês de 2026. Na capital, Florianópolis, o cenário é ainda mais preocupante: a representação dos visitantes do país vizinho caiu de 39% para alarmantes 24% no mesmo período.
Entre os principais fatores que contribuíram para essa queda estão as difíceis condições econômicas enfrentadas pela Argentina e as flutuações cambiais. A valorização do real em relação ao dólar durante 2025 redefiniu os custos das viagens para o Brasil, somada à desvalorização do peso argentino, que perdeu 27,4% de seu poder de compra frente à moeda norte-americana. Esse fenômeno é resultado da política econômica ultraliberal implementada pelo presidente Javier Milei, que tem gerado incertezas e instabilidade na economia do país.
Além da redução no número de visitantes estrangeiros, os relatos de queda no fluxo turístico geral se tornaram frequentes. Empresários e comerciantes locais têm notado uma diminuição significativa no movimento das praias e um impacto direto no consumo nas diversas áreas do setor. Este cenário é preocupante, especialmente para os negócios que dependem do turismo para sua sobrevivência.
Os gastos médios por grupo de turistas também apresentaram uma ligeira retração de 2%, passando de R$ 8.358 em 2025 para R$ 8.179 em 2026. Os representantes do setor turístico associam essa diminuição à baixa na quantidade de visitantes estrangeiros, que historicamente costumam gastar mais durante suas estadias.
Os hoteleiros, por sua vez, relataram taxas de ocupação inferiores às registradas em temporadas anteriores, refletindo a realidade desafiadora do setor. Além disso, dificuldades operacionais e questões de infraestrutura em algumas regiões foram mencionadas como obstáculos adicionais que podem ter contribuído para essa situação.
Apesar da oscilação sazonal e das dificuldades enfrentadas, Santa Catarina continua a atrair turistas, mantendo uma forte atividade no setor. O litoral catarinense e a Serra Catarinense continuam a ser reconhecidos como alguns dos principais destinos nacionais ao longo do ano, o que pode sinalizar uma recuperação gradual assim que as condições econômicas se estabilizarem.
