Decisão Estratégica em Meio a Crise
O presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, protocolou seu pedido de exoneração do cargo na última quarta-feira, 11. A solicitação ocorre em meio a investigações que envolvem investimentos de alto risco da previdência dos servidores estaduais no Banco Master. Lemos, em uma nota à imprensa, destacou seu compromisso com a verdade e a legalidade: “Seguindo com absoluto compromisso com a instituição, com os segurados e com a verdade dos fatos, apresento meu pedido de exoneração do cargo de diretor-presidente da Amprev”, afirmou.
Por meio do mesmo comunicado, o presidente da Amprev enfatizou a importância de permitir que a Justiça atue com total autonomia. “Faço isso para que a Justiça atue com total independência e para que fique plenamente comprovado que todos os procedimentos adotados sob minha gestão observaram rigorosamente a legalidade, permitindo a identificação e a responsabilização dos verdadeiros culpados”, ressaltou Lemos.
Investigações e Acusações
Recentemente, Lemos foi implicado na Operação Zona Cinzenta, um desdobramento da operação Compliance Zero. Esta investigação revelou um suposto esquema de fraudes financeiras que envolve a instituição bancária que foi liquidada pelo Banco Central (BC). É importante ressaltar que Lemos foi indicado ao cargo pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional, que, por sua vez, não está sob investigação.
De acordo com informações da Polícia Federal (PF), Lemos e outros dois integrantes do comitê de investimentos são acusados de aplicar, de forma irregular, cerca de R$ 400 milhões do Regime Próprio de Previdência Social do Estado (RPPS/AP) em Letras Financeiras. Essa situação levanta preocupações significativas sobre a gestão dos recursos previdenciários estaduais.
Defesa e Posicionamento da Amprev
Em resposta às alegações, a Amprev declarou, em um comunicado de 2025, que todas as aplicações realizadas estavam em conformidade com as normas do Sistema Financeiro Nacional. A entidade também afirmou que o Banco Master tinha autorização para operar com regimes próprios e que foram adotadas medidas para proteger os recursos após a liquidação extrajudicial da instituição.
Além disso, em um posicionamento mais recente, datado de 6 de janeiro de 2026, a Amprev informou que tanto ela quanto o governo do Amapá tinham obtido uma decisão judicial favorável que garantiria a segurança dos recursos relacionados aos empréstimos consignados. A entidade garantiu que todos os contratos permanecem válidos e que os descontos em folha de pagamento seguem normalmente, sem causar prejuízos aos segurados. Os valores das operações agora estão sendo direcionados para uma conta específica no Banco do Brasil, sob supervisão judicial, com o objetivo de assegurar a “transparência” até que haja uma decisão final no processo.
Este caso complexo destaca a importância da supervisão adequada em instituições financeiras e a necessidade de responsabilidade na gestão de recursos públicos, especialmente em áreas tão sensíveis quanto a previdência social. A situação continua em desenvolvimento, e novos desdobramentos são aguardados à medida que as investigações da Polícia Federal avançam.
