A Nova Era do Agronegócio: Estratégias para 2026
O agronegócio brasileiro se prepara para enfrentar um cenário desafiador em 2026, conforme apontam as projeções do Rabobank. Após um ciclo de crescimento acelerado, o aumento significativo nos custos, particularmente em fertilizantes, demanda uma mudança de estratégia. Por exemplo, os custos de adubação da soja devem subir de aproximadamente US$ 237 por hectare em 2025 para cerca de US$ 284 por hectare em 2026, representando uma alta próxima de 20%. Em contrapartida, a expectativa é de que o crescimento do PIB do setor desacelere para cerca de 1%.
Nesse novo contexto, a prioridade deve ser a maximização da margem por hectare, uma abordagem que chamamos de “gestão por m²”. Para ter sucesso, é crucial implementar uma gestão rigorosa dos custos, otimizar o uso de insumos, renegociar dívidas e priorizar investimentos que garantam retorno claro. A ideia central é “melhorar antes de crescer”.
Tensões Geopolíticas e Oportunidades Comerciais
As tensões geopolíticas continuam a influenciar o comércio global de forma significativa. Disputas tarifárias, conflitos como os do Oriente Médio e questões envolvendo figuras políticas como Donald Trump impactam diretamente os preços de insumos e commodities, além de afetar os fluxos comerciais e custos logísticos. Para os analistas de mercado, traçar previsões tornou-se uma tarefa complexa, já que eventos inesperados se tornaram mais frequentes. A solução, portanto, é monitorar continuamente os impactos e ajustar estratégias conforme necessário.
No Brasil, surgem oportunidades promissoras. A guerra comercial favorece a soja brasileira na China e abre espaço para outros produtos, como o sorgo. Além disso, o recente acordo entre Mercosul e União Europeia promete impulsionar a exportação de produtos agropecuários brasileiros. Com a instabilidade política nos EUA, espera-se que o Brasil amplie sua presença em novos mercados, como o Sudeste Asiático, Índia e Oriente Médio, regiões que apresentam crescente demanda por alimentos e segurança alimentar.
Impacto das Eleições de 2026 no Agronegócio
As eleições presidenciais de 2026 poderão consolidar o agronegócio como o tema central do debate econômico no Brasil. O cenário político sugere uma polarização que pode afetar as políticas de crédito rural, gestão de risco e infraestrutura. Os candidatos precisarão apresentar propostas claras em relação a essas pautas, que são cruciais para o desenvolvimento sustentável do setor.
Assim, é fundamental que as organizações do setor e os produtores priorizem a eficiência operacional, investindo em infraestrutura e tecnologia digital para reduzir o “Custo Brasil”. Essas medidas se tornam essenciais para proteger as margens de lucro diante do aumento de custos e dos preços voláteis das commodities.
O Papel do Cooperativismo e a Expansão em Bioenergia
Com um cenário de crédito mais caro e insumos instáveis, o cooperativismo adquire relevância ainda maior em 2026. Compras coletivas permitem que os produtores aumentem seu poder de negociação, reduzam riscos de abastecimento e melhorem suas condições comerciais. As cooperativas estão avançando na industrialização e na agregação de valor, com iniciativas voltadas para o processamento de produtos como soja e milho para a produção de biocombustíveis.
O Brasil se destaca como potência em bioenergia, e a Lei do Combustível do Futuro torna 2026 um ano decisivo para o mercado de SAF (combustível sustentável de aviação). A produção potencial estimada é de 1,6 bilhão de litros, com movimentação de cerca de R$ 17,5 bilhões em investimentos. O etanol de milho e o biometano também estão em expansão, atendendo a novas demandas por milho, sorgo e cana-de-açúcar, promovendo renda e margens adicionais para os produtores.
Sustentabilidade e Inovação como Prioridades
Após a COP30, realizada no Brasil em 2025, o setor agrícola inicia o ano sob pressão para converter compromissos ambientais em ações práticas. A sustentabilidade passa a ser uma fonte de oportunidades econômicas, trazendo o conceito de “ESG Rentável” à tona. Práticas como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e recuperação de pastagens ganharão viabilidade econômica através de créditos de carbono e certificações.
A integração de sistemas produtivos é uma estratégia crucial para a estabilidade econômica e ambiental dos agricultores. A ILPF, por exemplo, não só recupera áreas degradadas como também diversifica as fontes de renda, aumentando a produtividade.
Conectividade e Uso de Dados como Vantagens Competitivas
A conectividade rural avançou significativamente, e espera-se que, até 2026, o foco não seja apenas na infraestrutura 4G ou 5G, mas também no uso estratégico de dados. A gestão orientada por dados se tornará uma condição essencial para a competitividade no setor. A inteligência artificial, por sua vez, começará a ser utilizada de forma mais autônoma, facilitando tarefas como monitoramento climático e ajustes de manejo.
A rastreabilidade, cada vez mais importante, não só cumpre requisitos regulatórios como se torna uma vantagem competitiva diante de legislações rigorosas, como o EUDR europeu. A digitalização e a conectividade são aliadas na implementação dessas tecnologias, possibilitando a integração de dados e o aumento da margem de lucro no campo.
Em 2026, o setor agrícola brasileiro enfrentará desafios e oportunidades significativas. Será crucial que os produtores e agentes do agronegócio atuem como gestores competentes, buscando equilibrar produtividade com novas demandas por sustentabilidade e inovação tecnológica. O Brasil está preparado para continuar solidificando sua posição como celeiro do mundo, agora focando em valor e inteligência.
