Inovação no Tratamento do Diabetes
Entre os meses de fevereiro e março, o Ministério da Saúde inicia um projeto-piloto em quatro estados do Brasil: Amapá, Paraíba, Paraná e Distrito Federal. A proposta é substituir a insulina NPH pela insulina glargina para o tratamento de pacientes diabéticos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A insulina NPH, que tem ação intermediária, está em uso há várias décadas. Em contrapartida, a insulina glargina é uma alternativa mais moderna, caracterizada por sua ação prolongada. O governo federal planeja expandir essa iniciativa para todo o território nacional ao longo deste ano.
Nesta fase inicial, o programa atende crianças e adolescentes de até 17 anos diagnosticados com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais que apresentem diabetes tipo 1 ou tipo 2. Estima-se que cerca de 50 mil pessoas sejam beneficiadas nesta etapa inicial.
Público-Alvo e Acordo Técnico
Segundo informações do Ministério da Saúde, a definição do público-alvo ocorreu após uma reunião entre um comitê técnico de especialistas e gestores das redes de saúde estaduais e municipais. Existe a intenção de aumentar gradualmente o número de pessoas atendidas ao longo do ano, dependendo do progresso do projeto-piloto e da capacidade de produção e fornecimento da nova insulina.
A ampliação poderá incluir mais pacientes diagnosticados com diabetes tipo 2, que é a forma mais prevalente da doença no Brasil. Além disso, as equipes de saúde que estarão envolvidas no programa passam por um treinamento específico para garantir a correta implementação da nova terapia.
Capacitação das Equipes de Saúde
O treinamento abrange diversos aspectos, incluindo critérios de prescrição, técnicas de aplicação da insulina e o monitoramento clínico dos pacientes. As orientações também incluem o uso adequado das canetas de insulina. Para garantir um acompanhamento eficaz, as equipes realizarão consultas periódicas e, quando necessário, farão visitas domiciliares.
Comparação entre Insulinas NPH e Glargina
Especialistas em endocrinologia destacam que a principal diferença entre a insulina NPH e a glargina está em seu perfil de ação. A insulina NPH, embora seja classificada como de ação intermediária, não mantém um efeito estável ao longo de 24 horas, o que geralmente demanda duas ou três aplicações diárias para manter um controle glicêmico adequado.
Por outro lado, a insulina glargina oferece uma ação mais contínua, com duração próxima de um dia, o que permite sua administração na maioria dos casos apenas uma vez ao dia. Essa característica não apenas minimiza a ocorrência de picos de ação, mas também reduz o risco de episódios de hipoglicemia, favorecendo uma maior adesão ao tratamento.
A implementação deste novo protocolo reflete a crescente preocupação do Governo com a saúde da população mais vulnerável e o compromisso em oferecer um tratamento mais eficaz e seguro para o diabetes.
