Exploração de Petróleo e Desafios Estruturais
Macapá, a capital do Amapá, repleta de belezas naturais, enfrenta um dilema econômico significativo à medida que discute a viabilidade da exploração de petróleo na Margem Equatorial. Nesta manhã, 4 de fevereiro de 2026, a cidade celebra 268 anos de sua fundação, um marco que coincide com uma nova fase de debates sobre seu futuro econômico. A expectativa gerada pelas atividades da Petrobras mobiliza a sociedade, trazendo à tona questões sobre como os royalties podem impulsionar o desenvolvimento local, especialmente em uma cidade onde 80% da economia depende do setor de serviços.
Às margens do Rio Amazonas, que embeleza a cidade, a realidade é contraditória: apenas 40,4% da população conta com abastecimento de água adequado, e a coleta de esgoto atende apenas 7,7% dos residentes, conforme o Ranking do Saneamento 2025. Essa situação alarmante deixa Macapá entre as cidades com os maiores índices de déficit em saneamento no Brasil, em contraste com suas ricas tradições culturais e naturais.
O economista Cláudio Bahia explica que essa dependência de recursos externos evidencia uma fragilidade fiscal. A falta de autonomia em gerar receita própria prejudica investimentos em infraestrutura, fundamentais para a atração de novos negócios. “Para mudar esse cenário, é necessária uma transição na relação entre as transferências federais e a geração de receitas próprias”, salienta Bahia, que aponta para a urgência de um desenvolvimento econômico mais sustentável.
História e Cultura de Macapá
A história de Macapá remonta à colonização portuguesa, quando a região foi escolhida como ponto estratégico de defesa contra invasões. Originalmente denominada Terra das Bacabas, a cidade foi erguida por diferentes etnias, incluindo indígenas e negros escravizados, que desempenharam papéis cruciais na sua formação. A fortificação de São José, iniciada em 1758, simboliza essa herança e é um lembrete da resistência e da luta pela preservação cultural.
Desde o momento em que se tornou capital do território do Amapá, em 1944, Macapá começou a moldar sua identidade econômica, embora a dependência do governo federal tenha permanecido. Mudanças econômicas foram impulsionadas por ciclos, como a extração de manganês, mas a cidade nunca se transformou em um polo industrial.
Maria Carolina Monteiro, professora e advogada, enfatiza que a população negra de Macapá, que historicamente contribuiu para o desenvolvimento da cidade, continua a ser marginalizada. A falta de representatividade e oportunidades econômicas reflete uma herança de desigualdade que precisa ser abordada por meio de políticas públicas eficazes.
Marabaixo: A Manifestação Cultural de Resistência
Um dos traços mais marcantes da cultura local é o Marabaixo, uma manifestação que combina dança e música, reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Imaterial do Brasil. Essa tradição remete à resistência da população negra e à luta por identidade, sendo um símbolo poderoso dentro da cidade. O professor José Maria Pereira ressalta a importância de manter viva essa tradição, que representa não apenas um legado cultural, mas também a luta pela valorização da ancestralidade e da história.
Perspectivas Econômicas: Petróleo e Sustentabilidade
Com a exploração de petróleo no horizonte, a cidade enfrenta uma nova possibilidade de desenvolvimento, mas os especialistas alertam que a simples exploração não será suficiente para trazer mudanças estruturais. Jadson Porto, pós-doutor em geografia, enfatiza que é essencial preparar a infraestrutura e capacitar a mão de obra local para que a economia realmente se beneficie. “É essencial que as universidades desenvolvam cursos voltados para o setor, pois a geração de conhecimento é fundamental para um desenvolvimento sustentável”, afirma Porto.
Enquanto isso, o economista Cláudio Bahia ressalta a importância de uma gestão eficaz, capaz de planejar e projetar a cidade para um futuro mais autônomo e sustentável. “O petróleo pode gerar receitas, mas a visão de longo prazo deve considerar uma transição para energias mais limpas e sustentáveis”, conclui.
