Robôs e Arqueologia: Uma Combinação Inusitada
Em um evento inédito, Campina Grande, na Paraíba, receberá nos dias 3 e 4 de fevereiro, o penúltimo torneio regional da temporada 2025-2026 da FIRST® AGE, uma competição de robótica que promete unir inovação e educação. Inspirado no fascinante mundo da arqueologia, o torneio deve contar com a participação de mais de 200 competidores, divididos em 29 equipes, que competirão nas modalidades FIRST® LEGO League Challenge (FLLC), FIRST® Tech Challenge (FTC) e STEM Racing.
Os participantes estão em busca de vagas para o campeonato nacional que acontecerá em São Paulo no próximo mês, revelando a importância do evento tanto para os estudantes quanto para a própria Paraíba, que, pela primeira vez, sedia uma competição desse porte. O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB), Cassiano Pereira, enfatizou a relevância da realização do torneio: “Abrimos as portas da federação para realizar esse evento tão marcante para a educação e para o estado, porque vocês são o futuro do país”.
Patrimônio Arqueológico e Criatividade
Com o tema central na arqueologia, a Paraíba se destaca não apenas pela sua história, mas também por abrigar mais de 149 sítios arqueológicos reconhecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Muitas dessas áreas têm atividades de pesquisa em andamento, oferecendo um contexto rico para o evento.
A equipe Vulcanos, proveniente da Escola Municipal Maria Tâmara Souza do Nascimento, é a única representante de uma instituição pública no torneio. Com uma trajetória de mais de 180 km até Campina Grande, os estudantes de Maturéia, uma pequena cidade paraibana com cerca de 7 mil habitantes, se mostram entusiasmados em participar pela primeira vez de uma competição de robótica.
Localizada em uma região rica em vestígios de culturas ancestrais, a equipe traz inovações para o torneio. Eles criaram dois artefatos que refletem sua cultura local: uma moringa de argila, confeccionada por roceiras da cidade, e uma rocha que reproduz sons do Casarão do Jabre e do Sítio Arqueológico da Pedra dos Caboclos. “O sítio é bem antigo e um ponto turístico bastante visitado. É uma sensação incrível participar da competição e trazer um pouco da nossa cidade para cá”, afirma David Samuel Soares, de 12 anos.
Dinossauros e Tecnologia: Uma Referência Local
Outro destaque do torneio é a equipe Robossauros Master, do SESI José de Paiva Gadelha, que faz referência à sua cidade, Sousa. Conhecida por abrigar o Vale dos Dinossauros, onde várias pegadas foram descobertas, a equipe homenageia esse marco histórico. Thalita dos Santos, de 14 anos, explica: “Na nossa cidade tem o Vale dos Dinossauros, onde foram encontradas várias pegadas. Então decidimos homenagear esse marco com o nome da equipe”.
A equipe Robossauros compete nas modalidades FTC e FRC, sendo a única na modalidade FRC da Paraíba. Embora não participe de partidas nesta etapa, eles estão presentes com uma exposição de seu robô, permitindo ao público conhecer de perto a tecnologia desenvolvida pelo grupo.
Anfitriã e Inspiradora da Nova Geração
O torneio também conta com a presença da embaixadora da temporada, Conceição Lage, uma doutora em arqueologia, antropologia e etnologia. Desde a abertura do evento, ela expressou sua admiração pelos projetos inovadores apresentados pelos jovens competidores. “Fiquei surpresa e impressionada com os projetos desenvolvidos a partir das ideias das crianças. O torneio me abriu os olhos para esse universo e reforçou a certeza de que precisamos muito delas. São as crianças que podem melhorar a nossa vida, o nosso trabalho e a arqueologia”, declarou a doutora.
A competição prossegue até amanhã (4), com uma série de partidas em todas as modalidades e o anúncio das equipes que avançarão para a etapa nacional em São Paulo, consolidando a Paraíba como um novo polo de inovação e educação tecnológica.
