A Queda Histórica no Turismo Cubano: Impactos e Perspectivas
O turismo em Cuba enfrentou um colapso histórico, alcançando níveis alarmantes no último ano, segundo dados divulgados pelo instituto nacional de estatísticas do país. Com a economia da nação caribenha sob pressão, a indústria turística, crucial para a entrada de moeda forte, sofre impactos severos.
Em 2025, Cuba recebeu apenas 1,8 milhão de visitantes, o menor número em mais de 20 anos, excluindo os anos da pandemia de COVID-19, quando o turismo praticamente paralisou. Essa queda representa uma redução de 18% em relação ao ano anterior e uma diminuição de impressionantes 62% em comparação com os 4,7 milhões de turistas que visitaram a ilha em 2018.
Paolo Spadoni, professor de ciências sociais da Universidade Augusta, analisou a situação e a descreveu como uma “tempestade perfeita”. Segundo ele, a ilha enfrenta uma combinação de fatores internos e externos em um momento crítico, o que agrava a crise.
Desafios Econômicos e Investimentos Desproporcionais
Antes mesmo das recentes sanções dos EUA, Cuba já navegava por uma severa recessão, marcada por cortes de energia e escassez de produtos básicos. Apesar disso, o governo cubano apostou em novos empreendimentos hoteleiros na esperança de atrair turistas, construindo instalações que poucos locais conseguem pagar, resultando em um cenário de grande parte desses novos hotéis operando com baixa ocupação.
Um exemplo emblemático é o hotel de luxo Torre K, que foi inaugurado em Havana no ano passado. Com 42 andares e 594 quartos, o hotel abriu suas portas mesmo com a taxa de ocupação média dos hotéis em todo o país não passando de 20%, de acordo com dados do governo.
A situação se agravou ainda mais após o dia 3 de janeiro, quando forças especiais dos EUA capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, suspendendo as críticas exportações de petróleo do país sul-americano para Cuba, um aliado estratégico. Além disso, o governo Trump expressou intenções de impor tarifas a nações que fornecem energia para Cuba, ameaçando a já debilitada economia cubana.
Implicações para os Viajantes e a Indústria do Turismo
Os turistas que ainda visitam Cuba, particularmente aqueles hospedados em resorts de praia, estão começando a sentir os efeitos dessa crise. Krista Craig, uma canadense que frequenta a ilha desde 2018, relatou uma grande mudança em sua experiência. Em sua última visita em dezembro, o resort em Cayo Coco, que geralmente abriga cerca de 350 turistas, estava praticamente vazio, com menos de 100 visitantes.
Craig, que levou cerca de 38,5 kg de remédios e suprimentos para ajudar a equipe do hotel, destacou a necessidade urgente por medicamentos e alimentos, especialmente para tratar doenças transmitidas por mosquitos que têm afetado a população local. Apesar de seu desconforto em apoiar um governo autoritário, Craig enfatizou a importância do turismo para a subsistência dos trabalhadores da ilha.
Os canadenses permanecem como a maior fonte de turismo em Cuba, seguidos por cubanos que residem no exterior e visitantes russos. Entretanto, o governo cubano atribui a acentuada queda no turismo às longas sanções econômicas impostas pelos EUA, que elevaram os custos e tornaram difícil a importação de bens essenciais.
Comparação com Destinos Vizinhos e Visão Futuro
Cuba se destaca como uma exceção em relação a seus vizinhos. Enquanto isso, países como República Dominicana e Porto Rico registram números recordes de turismo, além de diversas ilhas menores no Caribe que desfrutam de uma demanda crescente. James Hepple, diretor executivo da Tourism Analytics, observou que a estrutura de negócios do turismo em Cuba é insustentável, apontando que o controle estatal excessivo e a má administração estão contribuindo para a deterioração da qualidade dos serviços e das instalações.
Preocupações com a segurança também têm crescido, com relatos de aumento da criminalidade, algo inédito em uma ilha que já foi considerada segura para turistas. Darren Toderan, um viajante frequente que tem laços com a população local, relatou que, apesar de suas experiências anteriores, agora sente um clima de insegurança nas ruas de Cuba.
Com um futuro incerto, a situação do turismo em Cuba continua a ser um reflexo da complexa interação entre políticas econômicas locais e internacionais, e muitos se perguntam qual será o próximo passo para a ilha diante de uma crise que parece não ter fim.
