Avanços na Produção de Vacinas
O diretor do Instituto Butantan expressou otimismo sobre os avanços na produção de vacinas brasileiras, afirmando que “tudo que estamos fazendo é para sonhar com a autossuficiência brasileira”. Em um recente depoimento, ele destacou a recepção positiva das doses da nova vacina da dengue, Butantan-DV, na vacinação piloto, e a expectativa de um aumento significativo na produção ao longo do ano.
Segundo ele, a aceitação da vacina foi extraordinária. “Embora tenhamos um número limitado de doses disponíveis inicialmente, planejamos importar 25 milhões de doses e produzir mais um milhão localmente. A experiência em produção é um aprendizado contínuo: cada vez que fazemos, conseguimos otimizar os recursos”, explicou. O diretor comparou o processo de produção de vacinas com o ato de fazer um bolo, ressaltando que, na segunda tentativa, é possível melhorar e obter um resultado ainda mais eficiente, sempre mantendo a qualidade.
Desafios da Capacidade Produtiva
Um dos pontos abordados foi o tempo que levou para a vacina da dengue ser desenvolvida, levando 15 anos para ser finalizada. “A capacidade produtiva que foi construída na década de 2010 não é suficiente para atender a demanda atual. Devemos pensar a longo prazo para garantir que possamos atender a população brasileira”, afirmou. O diretor acrescentou que a expectativa é que, no futuro, o Butantan possa produzir cerca de 6 milhões de doses anualmente, mas reconheceu a necessidade de um planejamento mais eficaz desde o início do processo.
Ele destacou que o investimento na capacidade produtiva é uma prioridade, com dez projetos em andamento, incluindo novas fábricas e diversificação de produtos. “Estamos investindo mais em pesquisa, desenvolvimento e inovação. O objetivo é alcançar a autossuficiência e, no último ano, conseguimos atender 100% da demanda nacional de soro antiofídico”, comentou.
Vacinas para Idosos e Novos Projetos
Sobre a vacina da dengue voltada para pessoas acima de 60 anos, o diretor afirmou que a inclusão dessa faixa etária está em andamento. “Estamos analisando mais de 700 indivíduos para determinar a imunogenicidade e teremos uma nova avaliação em seis meses, como exige a Anvisa. Esperamos concluir esses processos até o fim do ano”, disse.
Além da dengue, o Butantan está avançando com a vacina contra chikungunya, com vacinação piloto programada para começar em breve em 10 municípios brasileiros. O diretor explicou que essa vacina segue princípios semelhantes aos de outras vacinas atenuadas, como a da febre amarela. “A segurança é uma prioridade, e o uso da vacina foi cuidadosamente avaliado após ocorrências em outros países”, garantiu.
Novos Projetos e Iniciativas
O Instituto Butantan, desde sua criação, tem buscado se diversificar e inovar. O diretor mencionou que a produção da vacina da raiva está em curso, além de um estudo voltado para uma vacina de gripe adjuvada, que deve oferecer maior proteção para os mais velhos. Ele também falou sobre a pesquisa em andamento de vacinas contra o vírus da gripe aviária e o desenvolvimento de anticorpos monoclonais para doenças como zika e febre amarela. “Esses esforços são essenciais para estarmos preparados para enfrentar diversos vírus e melhorar a saúde pública”, concluiu.
Integração com a Fundação para o Remédio Popular
Outro tema abordado foi a incorporação do Butantan à Fundação para o Remédio Popular (FURP). O diretor ressaltou que essa fusão visa fortalecer a produção de imunobiológicos e aumentar a capacidade de inovação. “Precisamos não apenas manter nossa força na área de vacinas, mas também expandir a presença comercial e trazer novas tecnologias”, afirmou.
Perspectivas Futuras e Compromisso com a Saúde Pública
Com as eleições para governador se aproximando, questionado sobre sua permanência no cargo, o diretor enfatizou que sua prioridade é a instituição. “O Butantan é maior que qualquer um de nós. Se houver a oportunidade de continuar, estarei aberto a considerar, pois tenho me dedicado a fortalecer esta instituição”, finalizou. Ao longo dos últimos três anos, ele afirma ter atingido importantes conquistas e se sente grato pela oportunidade de contribuir com a saúde pública brasileira.
