Desafios e Controvérsias no Setor Educacional
A trajetória do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, é marcada por polêmicas e desafios administrativos. Recentemente, a Faculdade de Ciências e Tecnologias de Natal (Faciten), da qual ele foi sócio, foi descredenciada pelo Ministério da Educação (MEC). O descredenciamento ocorreu em novembro de 2025 devido a irregularidades na prestação de serviços educacionais. Outro vínculo importante do ministro, a Faculdade de Campina Grande, já havia sido suspensa do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) desde julho do ano passado, permanecendo inoperante desde 2024. Até o momento, o ministro não se manifestou sobre as sanções.
Renato Feliciano, irmão de Gustavo e sócio-administrador da mantenedora da Faculdade de Campina Grande, declarou que o ministro “não é mais sócio nem representante legal das empresas” e que as dívidas trabalhistas estão sendo tratadas individualmente.
Trajetória Empresarial e Política
A atuação de Feliciano se concentra na Paraíba, onde construiu uma rede de relacionamentos políticos que o impulsionaram a assumir a função de ministro. Entre 2019 e 2021, ele exerceu a função de secretário estadual de Turismo e Desenvolvimento Econômico, no governo de João Azevedo (PSB). Sua indicação para o ministério teve o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e ele sucedeu Celso Sabino, que voltou a ser deputado federal após sair do União Brasil.
O histórico empresarial de Feliciano, no entanto, é repleto de dificuldades. Ele ainda consta como diretor-presidente da União de Ensino Superior de Campina Grande (Unesc-PB) na plataforma e-MEC, embora a instituição não funcione, pelo menos, desde 2024. Esta faculdade foi credenciada em 2003, mas, segundo relatos de ex-professores, enfrenta uma série de problemas, incluindo atrasos salariais e dificuldades financeiras. Embora ainda esteja listada como ativa no MEC e habilitada a oferecer cursos de graduação, a Unesc-PB foi suspensa do Fies devido à falta de informações ao Censo da Educação Superior.
Crise Acelerada pela Pandemia
Com a chegada da pandemia, a situação da Unesc-PB se agravou. Um ex-docente relatou que a instituição não ofereceu suporte adequado para o ensino remoto, levando muitos alunos a abandonarem os cursos. Em 2022, o número de estudantes caiu drasticamente para aproximadamente 300, resultando na demissão de grande parte do corpo funcional. Nos anos 2010, a instituição chegou a contar com cerca de 2.600 alunos.
O GLOBO identificou 313 ações trabalhistas registradas contra a Unesc-PB no Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região, refletindo as supostas irregularidades da instituição. Em um caso, houve um reconhecimento da falta de pagamento de salários, e em outro, uma ex-professora que atuou sem registro em carteira acabou recebendo uma indenização de R$ 24 mil após uma ação judicial.
Debêntures e Desafios Financeiros
Além das ações trabalhistas, a Unesc-PB é listada como devedora da União, com um total de R$ 2,59 milhões em débitos. Desses, R$ 1,6 milhão se refere a dívidas previdenciárias e R$ 338,8 mil a multas trabalhistas. A família Feliciano também está envolvida em outras instituições educacionais, como a União de Ensino Superior da Paraíba (Unipb), mantenedora da Faciten, que também foi descredenciada pelo MEC em 25 de novembro do último ano, após um processo administrativo iniciado em 2024.
A Unipb possui débitos na dívida ativa da União que somam R$ 334 mil, principalmente relacionados a questões trabalhistas. Embora Gustavo Feliciano já tenha sido presidente da empresa, atualmente, seu irmão Renato aparece como representante legal, enquanto a empresa está registrada em nome de Soraya Rouse Santos Araújo, a qual também possui um cargo como secretária parlamentar.
Acompanhamento do Setor Imobiliário
Além do setor educacional, Feliciano se aventura no ramo imobiliário. Ele é sócio da GCF Construções e Empreendimentos Imobiliários, localizada em Campina Grande, que já entregou diversos condomínios residenciais. Essa construtora também figura na lista de devedores da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com um passivo aproximado de R$ 200 mil, a maior parte referente a débitos previdenciários. Assim como a Unipb, a GCF também passou para o nome de Soraya Rouse Santos Araújo.
