Estratégia de Afastamento do Bolsonarismo
O adiamento da visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é analisado como uma tática para evitar novas tensões com o bolsonarismo. A opinião é de Sergio Denicoli, CEO da AP Exata e cientista de dados, que participou do programa WW nesta quarta-feira (20).
Denicoli ressalta que a política do bolsonarismo pode ser bastante hostil, inclusive entre aliados. “O Tarcísio tem enfrentado críticas severas do grupo bolsonarista, sendo visto como um traidor. Acredito que ele já esteja cansado desse embate”, comentou o especialista, evidenciando que o governador está buscando diminuir sua exposição nesse cenário delicado.
O CEO da AP Exata também mencionou possíveis divisões internas no círculo bolsonarista. “Até na própria família Bolsonaro existem questões a serem esclarecidas. Michelle, por exemplo, parece não estar tão alinhada com os enteados e demonstra mais afinidade com Tarcísio”, observou Denicoli, que destacou as iniciativas conjuntas entre Michelle e o governador para melhorar a situação de Bolsonaro.
O Peso Político de Tarcísio em São Paulo
Durante a análise, Sergio Denicoli ressaltou que Tarcísio ganhou destaque político nas recentes eleições municipais, solidificando a posição de São Paulo como um estado crucial no contexto nacional. “Hoje, São Paulo tem uma importância ainda maior do que em 2022, considerando a ascensão de um centro político mais ampliado. Os moderados estão ganhando espaço, e Tarcísio é visto como parte desse grupo mais centrado”, explicou.
De acordo com o especialista, pesquisas revelam que Tarcísio apresenta uma resiliência notável em seu desempenho político. “A confiança em Tarcísio nas redes sociais é consistentemente maior do que a dos outros possíveis presidenciáveis, inclusive superando a de Bolsonaro e Lula”, afirmou Denicoli, ressaltando que mesmo diante de ataques, Tarcísio mantém uma imagem positiva entre os paulistas.
Embora existam rumores acerca de uma possível candidatura presidencial, Denicoli não acredita que o governador tenha coragem de desafiar a família Bolsonaro para promover sua própria candidatura. “Pela postura que Tarcísio tem demonstrado até o momento, ele tem se mostrado leal ao Bolsonaro”, analisou o especialista, sugerindo que essa pausa estratégica pode ser uma forma de fortalecer seu capital político para futuras negociações.
