A Visão Crítica sobre a Imigração nos EUA
Um ano após o início do segundo mandato de Donald Trump, a política anti-imigração em vigor nos Estados Unidos gera temor e insegurança entre os imigrantes, especialmente nas grandes cidades governadas por democratas. Essa análise é de Adriana Carranca, jornalista e escritora radicada em Nova York, que compartilhou suas impressões em entrevista ao Estúdio CBN.
Segundo Carranca, apesar do discurso mais agressivo do ex-presidente, as deportações realizadas por Trump foram inferiores às de seus antecessores, Joe Biden e Barack Obama. No entanto, a administração intensificou as operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), que incluem ações ostensivas, prisões em massa e uma cobertura midiática intensa.
“É uma política sem precedentes nos Estados Unidos”, afirmou a jornalista, ressaltando a gravidade das ações em curso.
De acordo com Carranca, os agentes federais têm atuado de maneira inusitada em espaços como tribunais e áreas urbanas, realizando prisões de pessoas que buscam regularizar sua situação migratória. Ela também mencionou casos em que detidos permaneceram fora de registros oficiais por dias ou semanas, deixando suas famílias sem saber onde estavam.
O Alvo das Cidades-Santuário
A jornalista destacou que as ações do governo se concentram principalmente nas chamadas cidades-santuário, que são administradas por governos democratas. Segundo sua avaliação, a maioria das pessoas presas não possui antecedentes criminais, desafiando assim o discurso oficial.
“Cerca de 70% das pessoas detidas nesse primeiro ano não tinham antecedentes criminais. Não eram criminosos violentos, como o governo tenta fazer parecer”, explicou Carranca.
O clima de tensão aumentou ainda mais após o falecimento de Renée Nicole Goode, uma americana, durante uma operação em Mineápolis, o que gerou protestos e denúncias de abusos por parte das autoridades. Para Carranca, a política migratória atual é mais voltada para o impacto simbólico do que para resultados práticos de controle.
“É uma política que se baseia muito mais no medo e na intimidação do que na efetiva gestão migratória”, concluiu.
