Mudanças à Vista na Estrutura Política do Governo
Ao convidar a ministra Gleisi Hoffmann (PT) a concorrer ao Senado pelo Paraná, o presidente Lula (PT) intensificou as discussões sobre quem assumirá o comando das Relações Institucionais do governo a partir de abril. Entre especulações e movimentações, vários nomes estão sendo considerados para a articulação política no Planalto, em meio a outras trocas de funções tanto no Palácio do Planalto quanto na Esplanada dos Ministérios.
Gleisi inicialmente planejava deixar o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, uma escolha vista como uma estratégia segura para prolongar seu mandato por mais quatro anos. No entanto, em uma conversa na quarta-feira (14), Lula solicitou que ela considere a candidatura ao Senado, conforme informações de fontes internas do governo.
Em conversas com aliados, Gleisi expressou entusiasmo diante do que considera uma missão dada pelo presidente. Contudo, nos bastidores, há uma certa hesitação por parte de seus aliados, que recomendam cautela antes de confirmar a candidatura. O PT paranaense, ciente do apelo de Lula, ainda não se posicionou oficialmente e aguarda uma declaração de Gleisi para estruturar sua chapa majoritária.
Possíveis Candidatos para Assumir a Articulação Política
Tradicionalmente, quando ministros deixam suas funções para concorrer em eleições, a secretaria fica sob a supervisão do secretário-executivo. No caso da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), essa posição é ocupada por Marcelo Costa, um diplomata com um perfil técnico, mas que enfrenta pressões de setores do PT que acreditam que a pasta precisa de uma liderança mais política durante o período eleitoral.
Nos corredores do Planalto, circulam nomes de potenciais candidatos para substituir Gleisi. Dentre eles, os ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Camilo Santana (Educação) são mencionados. Ambos foram eleitos senadores em 2022 e, portanto, não precisam participar do pleito deste ano para garantir seus mandatos.
Entretanto, o futuro de Camilo é incerto. Ele pode enfrentar dificuldades na disputa pelo governo do Ceará, o que abre espaço para o atual governador, Elmano de Freitas (PT), que poderia se candidatar ao Senado. Essa reconfiguração política pode limitar a viabilidade da pré-candidatura de José Guimarães, atual líder do governo na Câmara, que poderia ver seu interesse em se candidatar ao Senado sendo minado.
Expectativas para as Eleições de 2026
Nos bastidores do governo, Lula compartilhou com aliados que a eleição de 2026 apresentará um perfil distinto das anteriores. O presidente planeja observar atentamente e intervir na nomeação dos ministros que substituirão aqueles que deixarão suas funções em abril. Essa estratégia é, em parte, uma resposta ao movimento da base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca consolidar uma maioria no Senado a partir de 2027, possivelmente para limitar os poderes do STF (Supremo Tribunal Federal) e criar obstáculos a um eventual quarto mandato petista.
Manutenção de Boulos no Governo
Um dos poucos ministros que permanecerão no cargo durante a campanha é Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), que assumiu a posição em outubro do ano passado. Embora tenha a opção de se afastar para concorrer à reeleição como deputado federal, a decisão de Lula foi pela sua permanência no Planalto durante a campanha. Essa escolha foi um dos critérios para que Boulos aceitasse a nova função, pois a pasta é vital para a comunicação entre o presidente e os movimentos sociais.
Se Boulos deixar o cargo em abril, ele terá um tempo limitado para implementar suas ações. Entre suas prioridades para o primeiro semestre de 2026 está o programa Governo do Brasil na Rua, que visa levar serviços ministeriais para os estados por meio de mutirões. Essa iniciativa tem grande relevância no período de pré-campanha, antes de as restrições eleitorais serem impostas.
