Taxa de Inadimplência Cresce entre Produtores Rurais
No terceiro trimestre de 2025, a inadimplência no agronegócio alcançou 8,3% entre a população rural, conforme levantamento realizado pela Serasa Experian. Essa cifra representa um aumento de 0,9 ponto percentual se comparada ao mesmo período do ano anterior. Os dados indicam que a situação financeira do campo demanda atenção especial, especialmente entre os mais jovens.
A análise por faixa etária revela que, enquanto os idosos com mais de 80 anos apresentam a menor taxa de inadimplência, os indivíduos na faixa dos 30 aos 39 anos são os mais afetados, com uma preocupante taxa de 12,7%. Isso levanta questões sobre a capacidade de gestão financeira desse grupo etário, que parece enfrentar desafios significativos.
Apesar de a taxa de inadimplência ser relativamente baixa em comparação com outras áreas, os valores envolvidos são expressivos. No mesmo período, a dívida média dos inadimplentes com instituições financeiras atingiu a marca de R$ 100,5 mil, enquanto no setor agro esse número foi ainda mais alarmante, chegando a R$ 130,3 mil. Esse valor é superior ao que é observado em outros segmentos, como seguradoras não-vida, transporte de carga e armazenamento, que registraram dívidas médias em torno de R$ 31,7 mil.
Concentração da Inadimplência e Setores Atingidos
Dados adicionais do levantamento indicam que a inadimplência rural está predominantemente concentrada em dívidas contraídas com instituições financeiras, representando 7,3% do total. Em contrapartida, as obrigações financeiras diretamente associadas a credores dentro do agronegócio foram mínimas, com uma inadimplência de apenas 0,3%. Isso sugere que as concessões feitas entre os próprios integrantes do setor são, em sua maioria, bem-sucedidas.
O Sul do Brasil se destacou como a região com a menor taxa de inadimplência no terceiro trimestre de 2025, apresentando um percentual de 5,5%. Em seguida, estão as regiões Sudeste (7,0%), Centro-Oeste (9,4%), Nordeste (9,7%) e Norte (12,4%). Esses números revelam um cenário regional diversificado, onde o desempenho financeiro pode variar significativamente entre as áreas do país.
Desempenho por Unidade Federativa e Fatores Estruturais
Ao analisar os dados por Unidade Federativa (UF), o Rio Grande do Sul se destacou mais uma vez, apresentando a melhor taxa de inadimplência, com apenas 5,1%. O Paraná e Santa Catarina também se saíram bem, enquanto o Amapá registrou o maior percentual, com alarmantes 19,8% de inadimplência.
Marcelo Pimenta, head de agronegócio do Serasa Experian, comentou sobre a situação do Rio Grande do Sul, ressaltando que, apesar das severas perdas ocasionadas por secas e enchentes nos últimos anos, o estado apresenta um desempenho financeiro robusto. Segundo Pimenta, isso se deve a uma combinação de fatores estruturais e conjunturais que favorecem os produtores rurais.
“O Rio Grande do Sul conta com uma forte presença de cooperativas e sistemas integrados nos setores de soja, milho, pecuária e leite, que proporcionam suporte técnico e financeiro. Além disso, o estado se destaca pelo uso mais intenso de seguros agrícolas e por ter políticas de mitigação de riscos climáticos, juntamente com linhas de financiamento que facilitam o alongamento e a renegociação de dívidas”, explicou Pimenta.
Esses elementos, conforme discorrido, são cruciais para entender a situação financeira do agronegócio na região, mostrando que, mesmo em tempos difíceis, a gestão adequada e a estruturação financeira podem ser decisivas para a sustentabilidade dos produtores rurais.
