Tecnologia Inovadora para o Agronegócio
Um estudo desenvolvido no Espírito Santo está revolucionando o aproveitamento da banana verde, uma fruta muitas vezes subestimada. Segundo o pesquisador Genilson, que se dedica ao tema há anos, cerca de 40% a 60% da produção de frutas, incluindo a banana, é desperdiçada, sendo que uma parte significativa poderia ser aproveitada através do processamento. “Você pode achar até absurdo, mas esse é um fato. O que não vai para o comércio pode se transformar em produtos valiosos”, diz ele.
A trajetória acadêmica de Genilson se iniciou com a pesquisa sobre farinha de banana verde, passando pela biomassa e agora culminando no desenvolvimento do amido, que é considerado um produto mais concentrado e nutritivo.
Mas o que torna o amido de banana verde tão especial? Genilson explica que tanto a biomassa quanto a farinha são reconhecidas por suas propriedades nutricionais. O amido resistente contido na banana verde não é digerido no intestino delgado, funcionando como uma fibra alimentar. Ao chegar ao intestino grosso, promove benefícios à microbiota intestinal, ajuda a regular o colesterol e pode até prevenir doenças metabólicas.
Desafios no Mercado e Oportunidades
Apesar de existirem inúmeras pesquisas sobre o tema no Brasil, Genilson aponta que ainda não há um produto comercializado de amido de banana isolado no país. “Embora haja um vasto número de teses e dissertações sobre o amido de banana, tanto em termos de processamento quanto de benefícios à saúde, comercialmente, esse produto ainda não está disponível no Brasil, seja para uso industrial ou como suplemento”, afirma.
O pesquisador testou o amido como substituto da farinha em diversas aplicações na indústria alimentícia. Essa alternativa não só oferece funcionalidade nutricional, mas também atende a uma demanda crescente por produtos voltados a pessoas com restrições alimentares. “O amido resistente tem sido bastante discutido por suas propriedades de prevenção de doenças metabólicas, especialmente relacionadas ao colesterol e à obesidade. Além disso, ele proporciona saciedade e pode ser utilizado em produtos para aqueles que não consomem glúten”, destaca.
A pesquisa resultou na fundação da startup Innovative Food Solutions, criada com o propósito de levar essa tecnologia inovadora ao mercado. Genilson recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes), conseguiu produzir o amido em escala piloto e avançou para a modelagem industrial. “Participei de um edital da Fapes que apoia ideias inovadoras e fiz testes em escala piloto dentro de uma fábrica de banana passa, adaptando os equipamentos que já existem no mercado. Agora, preciso de um sócio investidor para seguir em frente”, relata.
Potencial do Agronegócio e Sustentabilidade
O público-alvo para a comercialização do amido de banana já existe, mas ainda não foi alcançado. Genilson acredita que há um nicho significativo de consumidores preocupados com alimentação saudável, restrições alimentares e diabetes. “O mercado está aí, precisamos apenas conectar essa inovação ao consumidor”, conclui.
A banana é uma das culturas mais plantadas no Espírito Santo, presente em 76 municípios e movimentando quase R$ 1 bilhão por ano. O estado se destaca como um dos maiores produtores do Brasil, com exportações e um polo significativo de banana orgânica.
O pesquisador vê grande potencial para o agronegócio local, especialmente em épocas de safra, quando os preços caem e sobra banana. “Se os produtores pudessem destinar parte da banana excedente para a produção de amido, teriam um produto que pode ser estocado e vendido durante todo o ano, solucionando o problema da perecibilidade da fruta”, explica.
Genilson ainda menciona a possibilidade de aproveitar bananas que são descartadas por unidades exportadoras. “As bananas pequenas, que não eram enviadas para exportação, poderiam ser transformadas em amido. Isso gera oportunidades tanto para o mercado interno quanto para o setor exportador”, conclui.
A pesquisa teve apoio financeiro da Fapes e contou com a colaboração de uma equipe composta por professores, técnicos e estudantes bolsistas do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
