O Agronegócio em Expansão na América Latina
O agronegócio brasileiro e latino-americano se destaca como um pilar fundamental da economia, demonstrando notável resiliência nas últimas décadas. Com inovações tecnológicas e vastas áreas agricultáveis, a região se posiciona cada vez mais no comércio internacional, atendendo à crescente demanda global por commodities como soja, carne bovina, açúcar e etanol. Em 2025, o Brasil alcançou um marco histórico, exportando mais de US$ 169 bilhões, consolidando a China como seu principal parceiro comercial.
Esse desempenho, no entanto, não é uma exclusividade do Brasil. Países como Argentina, Paraguai e Uruguai também têm apresentado crescimento significativo, impulsionados por investimentos estrangeiros, melhorias na logística e aumento na produtividade. Apesar de enfrentar desafios como mudanças climáticas e volatilidade de preços, a produção de alimentos na América Latina deve continuar a crescer, especialmente diante do aumento da população global. Contudo, a expansão do agronegócio não pode mais ocorrer de forma irrestrita, já que mercados como a União Europeia e a China impõem normas cada vez mais rigorosas.
Acordo União Europeia-Mercosul: Oportunidades e Desafios
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul foi avançado significativamente em janeiro de 2026, com a aprovação do Conselho Europeu. Este pacto é um dos maiores acordos de livre comércio do mundo, prevendo a eliminação de tarifas em mais de 90% das linhas tarifárias, o que representa uma oportunidade ímpar para o agronegócio latino-americano.
Com a ampliação do acesso ao mercado europeu, as exportações têm potencial para crescer exponencialmente nas próximas décadas. Estimativas apontam que o intercâmbio comercial poderá aumentar em bilhões de euros até 2040. No entanto, é preciso considerar que produtos considerados sensíveis, como carne bovina, aves e açúcar, estarão sujeitos a cotas específicas, o que exige uma adaptação por parte dos produtores.
A União Europeia, por exemplo, liberalizará cerca de 82% das importações agrícolas do Mercosul, enquanto o bloco sul-americano eliminará tarifas sobre aproximadamente 93% das exportações europeias. Essas condições apresentam um desafio, já que a pressão política sobre os agricultores europeus é forte, refletindo a preocupação com a concorrência de produtos latino-americanos.
Necessidade de Conformidade e Sustentabilidade
Para se manter competitivo, o agronegócio latino-americano terá que investir em conformidade regulatória, colocando a sustentabilidade e o combate ao desmatamento como prioridades. Regulamentações como o European Union Deforestation Regulation (EUDR) exigem sistemas rigorosos de rastreabilidade e certificação. Embora essas exigências possam aumentar os custos, elas também podem proporcionar um diferencial no mercado europeu, valorizando produtos que atendem a padrões de sustentabilidade.
Relação com a China: Caminhos e Desafios
A China permanece como o principal destino das exportações agropecuárias da América Latina, com o Brasil exportando mais de US$ 60 bilhões em produtos agrícolas em 2023. No entanto, o relacionamento se torna cada vez mais complexo devido a medidas protecionistas, como as cotas de importação para carne bovina. Essa restrição, que limita o Brasil a pouco mais de 1,1 milhão de toneladas em 2026, pode gerar perdas significativas para o setor. Portanto, torna-se essencial diversificar os mercados e agregar valor aos produtos por meio do processamento local.
Adaptação: A Chave para o Sucesso Sustentável
O agronegócio brasileiro e latino-americano está em uma posição privilegiada para continuar sua expansão e liderar o abastecimento global de alimentos. No entanto, essa trajetória exige uma adaptação estratégica às novas exigências internacionais. Como ex-parlamentar, defendo que governos e o setor produtivo devem trabalhar em conjunto, investindo em diplomacia econômica, tecnologia e segurança jurídica.
O futuro do agronegócio na região é promissor, mas requer um planejamento eficaz e um compromisso com padrões elevados. Para preservar e ampliar sua posição no cenário global, será necessário agir com rapidez e responsabilidade, sempre alinhados às expectativas do mercado internacional.
