Aumento Significativo nos Aluguéis em Belém
Belém, capital do Pará, se destaca como a segunda capital brasileira e a quarta cidade do país com o maior aumento no preço do aluguel residencial em 2025, conforme dados do Índice FipeZAP. O levantamento, divulgado na última quinta-feira (15/01), mostra que o metro quadrado na cidade alcançou o valor de R$ 63,69/m², o mais caro do Brasil. Um exemplo claro dessa realidade é o paraense Daniel Vinagre, de 24 anos, que se mudou do município de Moju para Belém e atualmente paga R$ 800 mensais por um apartamento de menos de 50 m² no bairro do Guamá.
No ano de 2025, os novos contratos de aluguel residenciais no Brasil apresentaram um aumento médio de 9,44%. Apesar desse crescimento, o índice ficou 4,06 pontos percentuais abaixo do registrado em 2024, que foi de 13,50%. Este aumento também foi mais que o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 4,26% no mesmo período. Em contraste, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), tradicionalmente utilizado para reajustes de aluguel, registrou uma deflação de 1%.
Valorização do Aluguel nas Capitais
O Índice FipeZAP acompanha mensalmente o preço médio de locação de apartamentos prontos em 36 cidades brasileiras. De acordo com o estudo, apenas duas cidades relataram redução no preço médio da locação: Campo Grande (MS) com queda de 4,36% e São José (SC) com recuo de 3,10%. Entre as capitais, os maiores avanços foram observados em Teresina (21,81%), Belém (17,62%), Aracaju (16,73%) e Vitória (15,46%).
Na análise das cinco cidades com as maiores altas nos aluguéis residenciais, Teresina lidera com uma valorização de 21,81%. Campinas (SP) aparece em segundo lugar com 19,92%, seguida de Pelotas (RS) com 18,81%, Belém (PA) com 17,62% e Aracaju (SE) com 16,73%.
Impacto do Preço do Aluguel na Vida dos Moradores
Daniel Vinagre, morando sozinho, expressa como o alto custo do aluguel impacta seu orçamento mensal. Ele ressalta que o valor de R$ 800 representa mais de 50% de sua renda, considerando o salário mínimo. “Não sei se o meu contrato é reajustado pelo IGP-M, e estou um pouco apreensivo com o que poderá acontecer na renovação”, relata.
Ele compara sua atual situação com momentos anteriores, quando dividia uma casa de três quartos com amigos, onde o aluguel total era de R$ 1.000, resultando em uma média de R$ 300 para cada um. “Agora, pagando R$ 800, isso pesa bastante”, afirma.
Movimentações no Mercado Imobiliário
A deflação de 1% do IGP-M em 2025 está sendo vista com cautela no mercado imobiliário de Belém. Salomão Mendes, consultor imobiliário, menciona que muitos contratos agora utilizam o IPCA como índice de reajuste, em resposta à queda do IGP-M. “É fundamental uma boa negociação entre locador e locatário para evitar conflitos na renovação do contrato”, explica.
Débora Reale, proprietária de uma imobiliária, reforça que, na prática, as imobiliárias seguem os contratos preestabelecidos e, quando o índice apresenta variação negativa, o mais comum é manter o valor vigente. “Muitos proprietários e inquilinos estão migrando para o IPCA, devido à sua estabilidade”, afirma. O economista Nélio Bordalo complementa que a valorização dos aluguéis em Belém pode estar ligada à alta demanda por moradia em virtude da realização da COP 30.
Desafios e Expectativas para o Futuro
O economista André Cutrim ressalta que a deflação do IGP-M não deve ser vista como um sinal de redução nos preços de aluguel. Ele explica que o comportamento dos preços é influenciado por uma série de fatores, como a dinâmica do mercado imobiliário local e a diferença entre os índices de preços. Enquanto o IGP-M reflete uma média abrangente, os aluguéis podem continuar a subir devido a pressões específicas de oferta e demanda.
Com a situação atual, advogados especializados ressaltam que a deflação do IGP-M não implica automaticamente uma redução dos valores de aluguel, devendo-se sempre considerar o que foi acordado contratualmente. Os potenciais conflitos judiciais tendem a respeitar as cláusulas pactuadas, a menos que haja uma demonstração clara de desequilíbrio.
