Oportunidades na Margem Equatorial
Em outubro de 2025, a Petrobras obteve uma licença ambiental do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para dar início às investigações no bloco FZA-M-59. Esta área, situada a aproximadamente 500 km da foz do rio Amazonas, promete ser um novo polo de exploração petrolífera no Brasil.
A faixa marítima da Margem Equatorial é reconhecida como uma região de grande potencial para a extração de petróleo e gás. Ela se estende desde a foz do rio Oiapoque, no extremo norte do Amapá, até o litoral do Rio Grande do Norte. O bloco licenciado para exploração pela Petrobras encontra-se a cerca de 175 km da costa do Amapá, dentro dessa promissora margem.
Desafios na Exploração de Hidrocarbonetos
No início de 2026, a Petrobras, que tem realizado a perfuração de poços para verificar a viabilidade do projeto, interrompeu temporariamente suas operações após a detecção de um vazamento de fluido de perfuração. Segundo informações da empresa, o fluido é biodegradável e de baixa toxicidade, e o incidente foi prontamente contido. A companhia determinou um período de 15 dias, a partir de 4 de janeiro, para retomar suas atividades.
A expectativa de que a extração de petróleo seja bem-sucedida na região já está provocando mudanças significativas nos municípios do Amapá, especialmente em Oiapoque, a cidade mais próxima do projeto.
Atração de Investimentos e Retorno à Região
De acordo com relatórios de veículos de comunicação como CNN e BBC, a possibilidade de exploração de petróleo na área tem atraído não apenas ex-moradores de Oiapoque, mas também investidores estrangeiros que buscam participar dos royalties gerados pela atividade. Esses royalties, pagos pelas empresas que exploram os recursos ao governo federal, estados e municípios, são vistos como uma forma de compensação pela exploração dos recursos naturais.
Em 2025, Maricá, um município no estado do Rio de Janeiro que já está envolvido na extração de petróleo pela Petrobras, recebeu cerca de R$ 2,6 bilhões em royalties. Estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sugerem que a atividade na Margem Equatorial poderia elevar em até 61,2% o PIB do Amapá.
Projeções de Emprego e Desenvolvimento Imobiliário
As projeções indicam que a exploração na região pode gerar mais de 490 mil novos empregos diretos e indiretos nos municípios de Oiapoque, Calçoene, Amapá, Macapá, Itaubal e Santana. Isso pode resultar em quantias significativas de arrecadação estadual e municipal.
Os relatos de mudanças na economia local já são visíveis, especialmente no setor imobiliário, que está passando por uma especulação acentuada devido ao influxo de novos trabalhadores. Novos edifícios residenciais estão sendo construídos rapidamente, muitas vezes sem planejamento, para acomodar técnicos, engenheiros e demais funcionários da Petrobras que se mudarão para Oiapoque.
Impacto Social e Economia Local
Em áreas como Belo Monte, Nova Conquista e Independência, o aumento na construção civil já começa a pressionar os preços dos aluguéis. A especulação não afeta apenas os recém-chegados, mas também os moradores antigos, que observam um aumento abrupto dos preços de suas residências sem justificativas claras.
Tradicionalmente, Oiapoque tem se destacado no comércio com a Guiana Francesa, além de práticas como a pesca e a agricultura de subsistência. Contudo, a iminente exploração petrolífera promete alterar essa dinâmica econômica.
“Para assegurar que os benefícios dessa nova fase sejam estruturados com antecedência, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e a Petrobras estabeleceram uma parceria de R$ 634,1 milhões. O intuito é capacitar a mão de obra local, fortalecer cadeias produtivas, criar o Instituto Margem Equatorial e estruturar rotas de desenvolvimento”, informou o MIDR.
Esses recursos serão direcionados para iniciativas como a Rota da Bioeconomia, a Rota do Açaí e a Rota da Biodiversidade.
O objetivo final é que o Amapá não se limite a ser um simples produtor de petróleo, mas que se torne uma liderança em um novo ciclo de desenvolvimento sustentável na Amazônia, com relevância tanto nacional quanto internacional.
