Pressão sobre o Executivo em Ano Eleitoral
No início de 2024, o governo encontra-se diante de uma pressão considerável para garantir a aprovação de medidas provisórias (MPs), especialmente em relação ao programa social que distribui botijões de gás a famílias de baixa renda. Lançado em 2025, esse programa precisa ser revalidado até o dia 11 de fevereiro, e com o retorno das atividades do Congresso previsto para o dia 2, o Executivo conta apenas com uma semana para assegurar sua continuidade. Apesar do prazo apertado, a popularidade do tema sugere que haverá um suporte significativo para a aprovação da medida.
Além das MPs, o governo também precisa se atentar aos vetos presidenciais que se acumulam na pauta do Congresso. Com 70 vetos esperando análise quando os trabalhos legislativos forem retomados, o cenário se torna ainda mais complicado. Um dos vetos mais controversos a ser discutido é o relacionado ao projeto de lei que propôs a dosimetria das penas, o qual afeta os ex-presidentes Jair Bolsonaro e outros envolvidos na tentativa de golpe. O consenso entre especialistas é de que a derrubada desse veto é uma possibilidade real, ao contrário da MP do Gás, que deve gozar de um apoio mais sólido.
Expectativas e Desafios no Cenário Político
O cientista político Melillo Diniz destaca que, à medida que 2026 se aproxima, ano marcado por eleições, o governo precisará intensificar suas negociações para aprovar as propostas em discussão. A falta de uma base política mais robusta coloca o Executivo em uma posição delicada, tornando imprescindível a negociação minuciosa de cada ponto. Para facilitar esse processo, a liberação de emendas para os aliados se torna uma estratégia vital para conquistar os votos necessários para a aprovação das medidas.
Essa dinâmica coloca o governo em um cenário onde a habilidade de articulação política se torna tão importante quanto a elaboração das propostas em si. O acúmulo de vetos e a urgência na aprovação de MPs refletem um ambiente legislativo tenso, onde cada dia conta e onde a popularidade das medidas pode ser um fator decisivo não apenas para a governabilidade, mas também para a sustentabilidade política do atual governo.
