A Relação entre Poder e Espiritualidade
Quando Deus se silencia, o espaço não permanece vazio. Ele é preenchido por algo, e frequentemente, não é o melhor da razão humana que ocupa esse vazio. A política moderna, em vez de reconhecer suas limitações, tenta se revestir de atributos divinos: promete salvação, exige fé, distribui culpas e absolvições conforme sua conveniência. Assim, observamos um cenário onde Deus foi excluído do discurso, mas o sagrado ressurgiu em uma forma perversa: ídolos seculares disfarçados de virtude pública.
A filosofia já percebia esse fenômeno antes que ele se tornasse evidente nas esferas do poder. Arthur Schopenhauer é, talvez, um dos pensadores mais desconfortáveis para compreendermos nosso tempo. Para ele, o mundo não é regido por uma razão justa ou por um desígnio benevolente, mas sim por uma vontade cega, irracional e insaciável. Nesse contexto, a política não redime, mas gerencia conflitos entre desejos que nunca são plenamente satisfeitos.
Em suas palavras, “a vida oscila, como um pêndulo, entre a dor e o tédio.” Assim, em Schopenhauer, a figura de Deus não precisa ser negada de maneira ostensiva; ela se torna dispensável para explicar o sofrimento existencial. Surge, então, o niilismo moderno: se a dor é a norma, qualquer promessa de felicidade coletiva, seja religiosa ou ideológica, soa como uma liturgia vazia. Este ambiente se torna propício para utopias que exigem sacrifícios em nome do que consideram o bem maior.
