Superávit e Desempenho das Exportações
As exportações do agronegócio brasileiro atingiram um patamar recorde em 2025, totalizando impressionantes US$ 169,2 bilhões, conforme apontou a análise setorial realizada pelo Itaú BBA. Este resultado não apenas superou o desempenho anterior, de 2023, que até então se destacava como o melhor da série histórica, mas também evidenciou a crescente importância do setor para a economia do país. As importações, por sua vez, também registraram um novo marco, alcançando US$ 20,1 bilhões. Com isso, o superávit comercial do agronegócio chegou a US$ 149,1 bilhões, apresentando um crescimento de 2,8% em comparação ao ano anterior.
De acordo com o relatório divulgado nesta sexta-feira (09), o agronegócio representou 49% de toda a receita gerada com as exportações brasileiras, consolidando-se como o principal motor do comércio exterior nacional. Essa ascensão é um reflexo do forte desempenho de diferentes produtos agrícolas e pecuários.
Destaques das Exportações em 2025
Entre os principais destaques do ano, os embarques de soja se sobressaíram, atingindo recordes históricos em volume. Apesar da ligeira queda nas quantidades exportadas de café, a valorização significativa dos preços internacionais garantiu uma receita recorde para o setor. Além disso, as exportações de carne bovina e suína in natura também alcançaram marcas inéditas, tanto em volume quanto em faturamento.
Por outro lado, a carne de frango in natura apresentou uma redução nos embarques em relação a 2024. No entanto, ao considerar todos os produtos do segmento — incluindo carnes in natura, miúdos e industrializados —, o volume exportado cresceu 0,1%. Esse desempenho foi impactado pela ocorrência de surtos de gripe aviária em maio, que resultaram no fechamento temporário de importantes mercados. No segmento sucroenergético, a combinação de queda nos preços internacionais e aumento da oferta global levou a uma redução significativa no volume exportado de açúcar, tanto do tipo VHP quanto refinado.
Resultados do Complexo Soja e Proteínas Animais
No complexo soja, os embarques de grãos totalizaram 108 milhões de toneladas, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. O preço médio foi de US$ 402,4 por tonelada, uma queda de 7%, resultando em uma receita de US$ 43,53 bilhões. O farelo de soja alcançou 23 milhões de toneladas, gerando um faturamento de US$ 7,92 bilhões, enquanto o óleo de soja manteve estabilidade em volume, com receita de US$ 1,45 bilhão.
Dentro do complexo de proteínas animais, a carne bovina in natura somou 3,1 milhões de toneladas exportadas, um aumento expressivo de 21%, resultando em uma receita de US$ 16,61 bilhões. A carne suína, por sua vez, totalizou 1,3 milhão de toneladas, faturando US$ 3,37 bilhões, enquanto a carne de frango in natura atingiu 4,6 milhões de toneladas, com receita de US$ 8,60 bilhões.
Exportações de Açúcar e Café
No setor sucroenergético, os embarques totalizaram 29 milhões de toneladas de açúcar VHP e 4 milhões de toneladas de açúcar refinado, além de 1,6 milhão de metros cúbicos de etanol. Os embarques de café verde caíram 18%, atingindo 2,26 milhões de toneladas, mas o aumento de 60% no preço médio garantiu uma receita recorde de US$ 14,9 bilhões. O milho também teve um desempenho positivo, com 41 milhões de toneladas exportadas, gerando US$ 8,47 bilhões, enquanto o algodão em pluma registrou um volume recorde de 3 milhões de toneladas, contribuindo com US$ 4,93 bilhões.
Participação e Destinos das Exportações
A soja manteve uma participação de 26% no valor total exportado pelo agronegócio, sustentando o mesmo desempenho de 2024. No entanto, notou-se um crescimento expressivo na participação da carne bovina, que teve um aumento de 2,7 pontos percentuais, assim como o café verde, que ganhou 1,9 ponto, impulsionado pela alta dos preços.
A China se destacou como o principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro, com compras que totalizaram US$ 55,3 bilhões, um aumento de 11,3% em relação ao ano anterior. Os principais produtos exportados para o país incluíram soja, carne bovina e celulose. Os Estados Unidos ocuparam a segunda posição, com US$ 11,4 bilhões em aquisições, marcando uma queda de 5,6% devido às tarifas impostas sobre produtos brasileiros. Em contraste, a União Europeia ampliou suas importações em 8,6%, totalizando US$ 25,2 bilhões, com ênfase em café, soja, farelo de soja e celulose, tendo a Holanda como o principal comprador do bloco.
