Entenda o que aconteceu e quais as implicações para a Petrobras e o meio ambiente.
O Ministério Público Federal (MPF) do Amapá impôs um prazo de 48 horas para que a Petrobras e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apresentem explicações sobre um vazamento de 15 mil litros de fluido de perfuração em um poço localizado na Bacia da Foz do Amazonas. O incidente foi reportado pela estatal na terça-feira, 6.
Os procuradores atuaram com urgência e solicitaram dados e documentos à Petrobras, responsável pela perfuração, e ao Ibama, que concedeu a licença ambiental para a operação. Essa solicitação faz parte de um inquérito civil público iniciado em 2018, que investiga possíveis irregularidades no licenciamento ambiental para a exploração na Margem Equatorial.
A perfuração na Margem Equatorial é um marco para a Petrobras, sendo a primeira na região, autorizada pelo Ibama em outubro de 2025, após longos anos de impasse e pressão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O posicionamento da Petrobras sobre o vazamento
Segundo informações fornecidas pela estatal, o vazamento foi identificado no domingo, 4, em duas linhas auxiliares no poço Morpho, que se localiza a aproximadamente 175 km da costa do Amapá, no bloco FZA-M-059, em águas profundas. A empresa relatou que o vazamento foi rapidamente contido e isolado, com as linhas sendo trazidas à superfície para inspeção e reparo, o que resultou numa interrupção das operações que pode durar até 15 dias.
A Petrobras garantiu que o fluido utilizado é biodegradável e atende aos limites de toxicidade estabelecidos pelas normas ambientais vigentes.
Ibama e as investigações em curso
O Ibama, por sua vez, informou que já está ciente do incidente e está investigando as causas junto às suas áreas técnicas. A atuação do órgão é crucial, uma vez que a preservação ambiental é um dos pilares da regulamentação em operações de extração de petróleo e gás.
A operação na Margem Equatorial e suas implicações
A perfuração na Margem Equatorial começou em outubro de 2025, na fase de exploração. O sucesso técnico e econômico dessa empreitada determinará os próximos passos da Petrobras, que poderá avançar para a fase de produção caso as condições sejam favoráveis. Caso contrário, as áreas exploratórias deverão ser devolvidas à União.
A Margem Equatorial abrange vastas áreas marítimas ao largo dos estados do Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, considerada uma nova fronteira exploratória para o setor de petróleo e gás devido a suas semelhanças geológicas com regiões como Guiana e Suriname. A exploração responsável e sustentável dessa região é fundamental para garantir que os recursos naturais sejam utilizados de maneira que não comprometa o meio ambiente e a vida marinha local.
Além disso, o episódio do vazamento levanta questões sobre a eficácia do licenciamento ambiental e a vigilância das atividades exploratórias na região. A pressão sobre a Petrobras pode aumentar, especialmente em um cenário em que as preocupações ambientais estão em alta e o debate sobre a sustentabilidade nas indústrias de energia se intensifica.
