Raiva em Controle: Análise e Medidas de Prevenção no Brasil
No início de 2024, o Ministério da Saúde planeja solicitar à Organização Mundial da Saúde (OMS) a certificação do Brasil como uma área livre das variantes caninas da raiva (AgV1 e AgV2). Apesar de um recente caso trágico envolvendo a morte de Matheus Santa Rosa dos Santos, de 24 anos, o ministério assegura que a doença permanece sob controle em todo o país, com uma estabilidade no número de casos. Essa informação foi divulgada pela pasta em uma nota oficial.
Matheus, que era natural de São Caetano de Odivelas, faleceu após contrair raiva humana na região de Oiapoque, no Amapá. Ele foi atacado por um macaco enquanto pescava em uma área de manguezal e, dias após o incidente, começou a apresentar sintomas de encefalite viral. Ele foi internado na UTI do Hospital Universitário Barros Barreto, em Belém, reconhecido por seu tratamento de doenças infecciosas, mas não sobreviveu.
O corpo do jovem foi sepultado no dia 4 de dezembro na zona rural de sua cidade natal. Embora essa morte tenha chamado a atenção das autoridades e da população, o Ministério da Saúde reafirma que, por mais de dez anos, não houve registros de casos de raiva humana gerados pelas variantes caninas, que historicamente são as mais comuns.
Ainda assim, o ministério destaca que é essencial continuar monitorando a situação e mantendo a vigilância
Sobre as condições de saúde pública, foi revelado que, em 2022, o país registrou 13 casos de raiva em cães e quatro em humanos, todos relacionados a variantes silvestres, e não caninas. Por conta do histórico de segurança, a pasta garante que não é correto alegar um aumento nos casos da doença.
Vacinação e Ações de Prevenção
Como parte de suas ações, o Ministério da Saúde orienta a população a buscar atendimento imediato sempre que houver mordidas ou arranhaduras por animais, sejam eles silvestres ou domésticos. Essa avaliação é crucial para determinar o risco de contaminação e, se necessário, iniciar rapidamente o tratamento profilático antirrábico, uma medida vital para evitar complicações da doença.
A vacina contra raiva está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas que possam estar expostas ao vírus e para profissionais que lidam com animais, como veterinários e biólogos. No ano passado, a vacina passou a fazer parte do calendário de vacinação em comunidades de difícil acesso na região amazônica.
Além disso, o ministério realiza anualmente capacitações junto às Secretarias Estaduais de Saúde para promover educação em saúde e campanhas de comunicação sobre os riscos da raiva, especialmente em relação ao contato com animais silvestres. Os especialistas recomendam que, em casos de mordidas ou arranhaduras, as pessoas procurem uma unidade de saúde imediatamente para tratamento.
Contexto Regional: Situação no Pará
No estado do Pará, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) relatou que não houve registros de casos de raiva humana em 2024 e 2025. O último caso foi em 2018, na cidade de Melgaço, e o óbito recente de Matheus foi atribuído ao Amapá, não ao Pará. Embora a raiva animal ainda seja endêmica no estado, especialmente a transmitida por morcegos, não há relatos recentes de transmissão em pets como cães e gatos.
O último registro de raiva em gatos ocorreu em 1994 e em cães em 2002. A prevenção da doença inclui a vacinação anual de cães e gatos, o que é essencial para evitar a circulação do vírus e prevenir casos graves em seres humanos.
Belém também não registrou casos de raiva em 2024 e 2025, tanto entre humanos quanto em animais. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) destaca que a vacinação antirrábica de cães e gatos é crucial para manter o controle da doença e prevenir sua reintrodução na região. A Sesma recomenda que, em caso de acidentes com animais, as pessoas busquem atendimento em unidades de saúde para avaliação e, se necessário, o início do tratamento.
Recomendações dos Especialistas para Prevenção
O infectologista Alessandre Guimarães, vice-presidente da Sociedade Paraense de Infectologia, alerta para a importância de evitar o contato próximo com animais silvestres, principalmente desconhecidos. A transmissão do vírus da raiva ocorre principalmente por mordeduras, arranhaduras ou lambeduras em mucosas, especialmente se a saliva do animal infectado entrar em contato com essas áreas. Ele enfatiza que a vacinação de cães e gatos é fundamental e que, após qualquer exposição, deve-se lavar a ferida imediatamente e buscar atendimento médico.
A médica veterinária Angel Macedo também reforça a importância da vacinação, especialmente em áreas rurais e de mata, onde o risco de contaminação é maior. A vigilância sanitária deve ser acionada em casos de suspeita de contaminação para monitorar a situação. Além disso, a campanha de vacinação anual deve ser levada a sério, pois a raiva é uma zoonose letal que não possui cura.
