Os Benefícios e Riscos do Óleo de Soja
O óleo de soja, amplamente utilizado para fritar, refogar e temperar alimentos, é um item comum na mesa dos brasileiros. No entanto, a pergunta que muitos fazem é se o consumo desse óleo é realmente saudável. A resposta não é simples e depende mais da forma como é consumido do que do próprio produto. O óleo é extraído dos grãos de soja por meio de processos industriais que envolvem prensagem e refinamento. Ao contrário do azeite de oliva, que é prensado a frio, o óleo de soja passa por temperaturas elevadas durante o processamento, o que altera sua composição química, influenciando seu perfil nutricional e seus efeitos no organismo.
Uma das características que destaca o óleo de soja é seu perfil de gorduras, majoritariamente poli-insaturadas. Esse tipo de gordura é geralmente considerado mais benéfico para a saúde cardiovascular do que as gorduras saturadas. A inclusão de gorduras poli-insaturadas na dieta, substituindo as saturadas, está associada à redução dos níveis de colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, e a um menor risco de doenças cardiovasculares.
Além de suas propriedades nutricionais, o óleo de soja é uma fonte de vitamina E e ácidos graxos essenciais. Segundo Aline Bittencourt, nutricionista, “em quantidades moderadas e inserido em uma dieta equilibrada, não há evidências significativas de que o óleo de soja refinado prejudique a saúde em pessoas saudáveis.”
Cuidado na Utilização do Óleo de Soja
Entretanto, é preciso atenção quanto ao seu uso. Quando o óleo de soja é consumido em excesso ou utilizado incorretamente, principalmente na fritura constante de alimentos, pode trazer riscos à saúde. A razão para isso é que o óleo possui uma proporção elevada de ômega-6 em comparação ao ômega-3, o que pode resultar em um estado inflamatório crônico no organismo. Esse desequilíbrio está associado a diversas condições de saúde ao longo do tempo, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade.
Ademais, o modo de preparo também exige cuidados. O óleo de soja, quando submetido a altas temperaturas ou reutilizado várias vezes para frituras, pode perder suas propriedades benéficas, levando à formação de compostos potencialmente nocivos. Flávia Gabrielle P. de Oliveira, docente do UniFavip Wyden e doutoranda em Saúde Pública, explica que “as alterações químicas nesse processo podem favorecer a geração de compostos tóxicos, como aldeídos. Além disso, o óleo pode absorver resíduos de frituras anteriores, alterando o sabor e o odor dos alimentos. É essencial observar mudanças de cor, a geração de fumaça e sinais de degradação do óleo durante o preparo.”
Orientações para Um Consumo Saudável do Óleo de Soja
Para aqueles que utilizam o óleo de soja no dia a dia, a recomendação é que ele faça parte de uma dieta equilibrada, que inclua fontes de ômega-3 e respeite os limites de aquecimento ou reutilização. O problema não está no óleo de soja em si, mas no contexto geral da alimentação e na forma como ele é utilizado.
As diretrizes nutricionais sugerem que a ingestão total de gordura deve representar entre 20% a 35% das calorias diárias, sendo que até 10% deve provir de gorduras poli-insaturadas. Isso, na prática, significa que uma a duas colheres de sopa de óleos vegetais por dia, considerando todas as fontes, é compatível com uma dieta saudável. Além disso, é aconselhável diversificar as fontes de óleo na cozinha. Alternar entre o uso de óleo de soja, azeite de oliva e, ocasionalmente, óleo de coco ou girassol pode contribuir para um equilíbrio nutricional mais adequado.
Por fim, é crucial limitar o consumo de alimentos fritos e processados, que geralmente concentram óleos refinados em excesso. Ler os rótulos dos produtos industrializados ajuda a identificar e controlar a ingestão total de óleo de soja, garantindo uma alimentação mais saudável e equilibrada.
