Mudanças na liderança da Embrapa Amapá
A Embrapa Amapá inicia o ano de 2026 com a nomeação de novos gestores, liderados pela pesquisadora Cristiane Ramos de Jesus, que assume a chefia-geral a partir do dia 1º de janeiro. A decisão foi tomada após uma seleção interna conduzida pela diretoria da empresa, garantindo um mandato de dois anos, com possibilidade de renovação mediante avaliação.
Além de Cristiane, foram indicados novos chefes adjuntos: a pesquisadora Valeria Saldanha Bezerra assume a chefia de Pesquisa e Desenvolvimento, enquanto o zootecnista Daniel Montagner foi designado para a chefia de Transferência de Tecnologia. Adalberto Azevedo Barbosa, bacharel em Direito, permanece na chefia adjunta de Administração.
Em suas primeiras declarações, Cristiane de Jesus expressou sua satisfação em assumir a gestão. “É uma honra e uma alegria estar à frente deste desafio. Nossa missão será seguir unidos, tanto as equipes da Embrapa quanto nossos parceiros, para fortalecer cadeias produtivas estratégicas, promover inovação e garantir soluções adaptadas às necessidades dos ecossistemas do Amapá e do Estuário Amazônico”, comentou a nova chefe-geral. Cristiane se mostrou otimista sobre o novo ano, ressaltando a importância do cuidado com a Amazônia e a valorização da ciência.
Prioridades da nova gestão
A nova liderança da Embrapa Amapá terá como foco a consolidação da unidade como um centro de referência em pesquisa fitossanitária no Brasil, especificamente no combate à mosca-da-carambola e à vassoura-de-bruxa da mandioca. Além disso, estarão entre as prioridades a dinamização das cadeias de produtos da sociobiodiversidade e o investimento em tecnologias voltadas à agricultura sustentável. Com isso, a expectativa é contribuir para a geração de renda e a saúde da população do estado do Amapá e do estuário amazônico.
Classificada como um centro ecorregional de pesquisa, a Embrapa Amapá desempenha um papel crucial na geração de conhecimentos e tecnologias adaptadas aos variados ecossistemas do estado, que incluem cerrados, florestas de terra firme e de várzea, campos naturais, zonas costeiras e manguezais do estuário do rio Amazonas.
Entre os planos da nova gestão, destaca-se o desenvolvimento de tecnologias para atender cadeias produtivas como a do açaí, focando em manejo com mínimo impacto, variedades mais produtivas, e agregação de valor a produtos florestais, como a castanha-da-amazônia e óleos vegetais amazônicos, como andiroba e pracaxi. As pesquisas também considerarão a produção de grãos e frutíferas, incluindo feijão-caupi, milho, cupuaçu, banana, citros e mangaba.
Transferência de Tecnologia e inovações
A nova gestão da Embrapa Amapá planeja aprimorar a transferência de tecnologia, buscando uma melhor adequação dos resultados das pesquisas às demandas do setor produtivo. Para isso, serão implantadas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) e realizada a capacitação de técnicos, extensionistas e produtores, visando fortalecer os elos das cadeias produtivas.
Outra estratégia será a avaliação de impactos das tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, além da promoção de estudos socioeconômicos e maior participação em feiras e eventos técnico-científicos, tanto a nível local quanto nacional.
Marco histórico na liderança da Embrapa Amapá
Vale ressaltar que Cristiane é a primeira mulher a ocupar a posição de chefe-geral da Embrapa Amapá em seus 43 anos de história. Natural de Porto Alegre e com 51 anos, Cristiane é mãe de duas filhas e possui formação em Ciências Biológicas, com mestrado em Biologia Animal e doutorado em Agronomia (Fitotecnia) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Ela ingressou na Embrapa Amapá em 2005 como bolsista do CNPq e da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Amapá (Setec), participando da equipe pioneira em pesquisas sobre a mosca-da-carambola. Cristiane sucedeu o pesquisador Jô de Farias Lima, que desempenhou a função interinamente desde julho de 2025. O ex-chefe-geral, junto a Antonio Claudio Almeida de Carvalho, que ocupou o cargo de chefia entre fevereiro de 2021 e junho de 2025, teve seu trabalho reconhecido pela nova gestora, que destacou a importância da colaboração de todos os envolvidos na história da Embrapa Amapá.
